Empresários tiveram faturamento estável, mas viram número de turistas e gasto médio cair, aponta Fecomércio
O retorno econômico da temporada de verão 2025/2026 no litoral de Santa Catarina deixou a desejar para quase metade dos empresários. Isso porque o gasto médio dos turistas caiu 16,4% em relação ao mesmo período no ano anterior. Os dados são resultado da Pesquisa Turismo de Verão no Litoral Catarinense 2026, produzida pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio-SC), divulgado nesta quinta-feira (26).
De acordo com a Fecomércio-SC, o total gasto por grupo de turistas passou de R$ 9.833 em 2025 para R$ 8.224 em 2026. O recuo ocorre após um pico registrado no ano passado, considerado extraordinário. Mesmo assim, o desembolso médio neste ano foi o segundo maior desde o início da série histórica, em 2013.
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Segundo o presidente da Fecomércio SC, os resultados refletem um ajuste natural após a forte elevação de preços no período recente. “Havia uma expectativa de que esta temporada seria tão boa quanto a anterior, mas, infelizmente, isso não se concretizou. O mês de janeiro, especialmente, ficou bastante abaixo do observado no ano passado”, diz Hélio Dagnoni.
Impacto dos ‘hermanos’
Do total de turistas que visitaram Santa Catarina nesta temporada, 36,5% eram estrangeiros, sendo os argentinos a maioria entre eles, com 29% deste total. Ambos os números tiveram uma leve queda em relação ao verão anterior, quando esses percentuais foram de 35,2% e 28,8%, respectivamente.
Ainda de acordo com a Fecomércio, o gasto médio dos turistas vindos da Argentina foi o que teve a queda mais significativa. Embora ainda acima da média geral, o desembolso por grupo de visitantes passou de R$ 13.308 para R$ 10.983, um recuo de 17,5% em 2026. “No ano passado, por questões cambiais, o Brasil aparecia como um destino muito barato para os ‘hermanos’. Nesta temporada, o gasto ficou mais próximo da normalidade histórica”, afirma o presidente da Federação.
Expectativas impactaram a percepção
De acordo com a Fecomércio, a frustração de 43,8% dos empresários quanto aos resultados desta temporada de verão é efeito não apenas do menor gasto por cliente, mas também das altas expectativas para a movimentação. Na realidade, o faturamento permaneceu estável em relação ao ano anterior, com alta de 0,4%, e ficou 20,9% acima dos resultados nos períodos de baixa temporada.
Entre os fatores apontados pelo setor empresarial estão o alto custo do destino, a perda de poder aquisitivo dos turistas e o aumento das despesas operacionais. Empresários relataram que, embora o fluxo de visitantes tenha se mantido, houve maior resistência ao consumo, com clientes optando por produtos mais baratos e reduzindo gastos em serviços.

Setores mais impactados
- Agências de viagens e operadores turísticos: +34,6%
- Hotéis e pousadas: +6,6%
- Bares e restaurantes -23,1%
- Alimentação fora do lar: -26,6%
- Vestuário: -39,4%
Avaliação dos turistas
Mesmo diante do resultado frustrante para os empresários, a avaliação dos turistas foi positiva. O litoral catarinense atingiu elevado índice de satisfação, com 78% dos visitantes classificados como promotores — aqueles que recomendariam o destino —, posicionando a região na chamada “zona de excelência”.
O perfil médio dos turistas traçado pela pesquisa da Fecomércio aponta que o público desta temporada foi composto principalmente por pessoas em torno de 45 anos de classe média — especialmente nas faixas de renda entre 2 e 8 salários mínimos, que somaram 61,6% dos visitantes. Do total deste público, 85,2% foi composto por famílias e casais, demonstrando um envelhecimento no perfil com a redução significativa da participação de jovens.
O estudo aponta, no entanto, que o futuro do turismo em Santa Catarina dependerá de avanços estruturais. “Problemas recorrentes, como mobilidade, saneamento e custo elevado, foram citados como entraves à competitividade. Para empresários e turistas, o desafio será equilibrar a valorização do destino com a manutenção de sua atratividade, especialmente para o público de classe média, que hoje sustenta a maior parte da demanda”, afirma a Fecomércio.
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