10 de abril de 2026
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Pesquisadores encontram toca pré-histórica em SC

Foto: Divulgação
Paleotoca data do Período Quaternário e abre possibilidade para novas pesquisas

Uma toca escavada por um animal pré-histórico foi localizada recentemente por um grupo de pesquisadores da Udesc na localidade do Rio Amaral Gruta, em Lauro Müller (SC), no Sul do estado. A estrutura foi caracterizada como uma paleotoca e, segundo os geógrafos, deve ter sido cavada por um mamífero do Período Quarternário há mais de dois milhões de anos. Segundo o Laboratório de Geografia Física (LGEF), responsável pela descoberta, o achado abre a possibilidade para novos estudos sobre a ocupação do território no passado e revela que animais habitaram áreas mais abrangentes do que se sabia.

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A formação, denominada como paleotoca Amaral de Baixo, tem 25,9 metros de comprimento e possui uma ramificação, que será explorada. Para classificar a toca, o grupo de estudiosos observou o formato arredondado, marcas de garra ou de deslocamento dos animais e características externas, que foram compatíveis com as encontradas em moradias de espécies pré-históricas. Com a confirmação, a estrutura se tornou a primeira do tipo documentada em rochas da Formação Rio Bonito e na unidade de relevo conhecida como Depressão da Zona Carbonífera Catarinense. Isso demonstra que animais da ordem Xenarthra, como tatus, preguiças e tamanduás, que antes se pensava que tinham vivido apenas nas regiões do Vale do Itajaí (Doutor Pedrinho), Planalto Serrano (Urubici), Oeste (Lindóia do Sul) e Sul (Morro Grande e Jacinto Machado), também habitaram aquele local há milhões de anos.

Fundo do túnel em direção à entrada da paleotoca, aproximadamente 11 metros. Foto: Divulgação

“Encontrar novos registros é fundamental para entender melhor a distribuição desses vestígios no território”, explica o professor Jairo Valdati, coordenador do laboratório, que faz parte do Grupo de Pesquisa em Estrutura, Dinâmica e Conservação da Biodiversidade e da Geodiversidade (BioGeo), ligado ao Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed) da Udesc, em Florianópolis.

Os dados coletados no local serão apresentados no 4º Encontro Luso-Brasileiro de Patrimônio Geomorfológico e Geoconservação (ELBPGG), de 5 a 10 de outubro, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em Pelotas (RS). A paleotoca também será submetida à aplicação da tecnologia Lidar (Light Detection and Ranging ou Detecção e Medição de Luz), para criação de modelos tridimensionais da toca, o que ajudará em análises futuras mais detalhadas.

Paleotocas

As paleotocas são buracos cavados por grandes mamíferos da ordem Xenarthra, que faziam as escavações para se abrigar contra o clima e possíveis predadores. Fósseis encontrados de espécies datam do Período Quarternário, que engloba dos 2,58 milhões de anos até o presente, e serviam como abrigo contra o clima e possíveis predadores.

Essas tocas são classificadas como um tipo de habitação Domichnia, que podia ser usada como moradia temporária ou permanente. Vestígios como esses são encontrados especialmente na região Sul do Brasil e na Argentina. Em Santa Catarina, a maior parte das descobertas estava concentrada na área do Geoparque Mundial da Unesco Caminhos dos Cânions do Sul, onde o grupo de pesquisa BioGeo também atua.

           

             

Árbitro catarinense é confirmado na Copa do Mundo de 2026

Essa é a primeira vez que Santa Catarina terá representante no quadro de arbitragem de um mundial

A arbitragem catarinense será representada na Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. A FIFA, entidade responsável pela organização do evento, revelou, nesta quinta-feira (9), que Ramon Abatti Abel, natural de Araranguá, é um dos 170 árbitros que estarão na próxima edição da competição. Essa é a primeira vez que um catarinense apitará em um mundial. Além dele, o Brasil ainda está representado por mais oito nomes.