A alta do preço do barril no mercado internacional gera um efeito cascata que atinge a logística rodoviária e o custo de produção de proteínas no campo
O agravamento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, desde o dia 28 de fevereiro, provocou uma reação imediata nos mercados globais e o preço do petróleo ultrapassou os US$100, a maior cotação já registrada nos últimos quatro anos. E essa alta pode trazer reflexos econômicos para a alimentação no Brasil, já que o petróleo é o principal vetor de transmissão de custos do agronegócio.
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De acordo com a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro, esse cenário de incerteza no Oriente Médio elevou o patamar de negociação das commodities na Bolsa de Valores de Chicago, sinalizando a presença de um “prêmio de risco” que encarece toda a cadeia produtiva.
A alta do petróleo impacta diretamente o preço da soja, consequentemente o custo de produção de todas as carnes, e o custo do frete, que influencia o preço final de alimentos regionais, como as hortaliças, legumes e frutas. Como a matriz de transporte brasileira é majoritariamente rodoviária, qualquer variação no valor do preço do barril de petróleo reflete diretamente no preço do diesel. Esse custo logístico pressiona o frete desde o transporte de insumos até a entrega do produto final nos supermercados. E quem paga a conta é o consumidor.
O impacto nos fertilizantes e na ração animal
Um dos pontos mais críticos da influência do petróleo no campo está na produção de grãos, como soja e milho, que são matéria-prima para as rações. O gás natural e o petróleo são, também, matérias-primas essenciais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados. Quando o setor de energia entra em crise, o preço desses adubos sobe drasticamente, afetando o custo de todas as lavouras cultivadas no Brasil, uma vez que o país é dependente de importação de fertilizantes.
Na avicultura e na suinocultura, os custos com a nutrição animal representam entre 60% e 75% do gasto total da produção. Segundo o Boletim Cicarne da Embrapa, as altas nos insumos impulsionadas pelo setor energético são repassadas quase integralmente para o custo final da carne.
Logística e o desafio do frete rodoviário
A dependência do diesel é um fator constante de pressão sobre os preços dos alimentos. O frete mais caro incide em todas as etapas da cadeia, do transporte de fertilizantes até as fazendas, no deslocamento dos grãos para as fábricas de ração e na entrega da proteína animal aos grandes centros consumidores.
Relatórios da FGV Agro indicam que a correlação histórica entre os preços das commodities agrícolas e do combustível fóssil é positiva. Isso significa que, invariavelmente, o alimento fica mais caro quando o petróleo atinge patamares elevados no mercado global.
Estratégias de comercialização e incertezas
Para o produtor rural, os momentos de instabilidade geopolítica criam janelas de preços que podem representar oportunidades para a gestão de risco. Yedda Monteiro, da Biond, recomenda o avanço progressivo na comercialização através de vendas fixas ou estruturas de proteção. A disciplina comercial é considerada crucial para construir posições em níveis de preço favoráveis.
Apesar da forte conexão, outros fatores como a demanda chinesa e a taxa de câmbio podem alterar a intensidade da transmissão de preços ao consumidor. No entanto, o consenso entre analistas é que o petróleo permanece como um componente decisivo para a inflação de alimentos no Brasil em 2026.
Homem investigado em SC por golpe do “falso intermediador” é preso
Vítima de golpe teve prejuízo de R$ 125 mil em veículos de luxo
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