19 de junho de 2024
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Policial

Polícia Civil prende ex-secretário de Florianópolis Ed Pereira

Ed Pereira foi preso na manhã desta quarta-feira (29). Imagem Redes Sociais / Reprodução.

Outras três pessoas foram presas sob suspeita de corrupção na Capital

O ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis, Ed Pereira, foi preso junto com outras três pessoas sob a acusação de ter participado de um esquema de corrupção. A prisão ocorreu na manhã desta quarta-feira (29) durante mais uma fase da Operação Presságio.

O ex-secretário é citado em diversos áudios, colhidos no celular do ex-diretor de Projetos da Fundação Franklin Cascaes, Renê Raul Justino, como ter recebido recursos públicos. A operação cumpre ainda nove mandatos de busca e apreensão em Florianópolis, Palhoça e Balneário Camboriú. Segundo informações levantadas pelo Portal TVBV Online, também foram presos Renê Raul Justino. Os outros nomes ainda não foram confirmados.

 

Durante a ação, que foi realizada nas primeiras horas da manhã, participaram da Operação um total de 54 policiais das diversas delegacias especializadas da Diretoria Estadual de Investigação Criminal (DEIC).

> Operação Presságio: áudios revelam funcionamento de suposto esquema criminoso
Foto: Divulgação/PCSC

Operação Presságio

A investigação teve início em 2021 devido a suspeita de um crime ambiental que estaria sendo realizado pela empresa Amazon Fort no terreno ao lado da passarela Nego Quirido, no Centro de Florianópolis. A empresa recebeu da Prefeitura de Florianópolis em 17 meses do contrato R$ 29 milhões.

As investigações da Polícia Civil apontou indícios de outras ilegalidades em contratos públicos e repasses de dinheiro entre empresas, organizações, empresários, servidores públicos e secretários de Florianópolis.

Já a Operação Presságio teve início no dia 18 de janeiro quando foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão. O trabalho da primeira fase da Operação resultou em diversas informações colhidas durante perícias em celulares, computadores e documentos apreendidos.

A operação investiga crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro cometidos por Fábio Braga, Ed e a esposa Samantha Brose, além de pessoas do setor privado. Com base nas investigações a Justiça prorrogou o afastamento dos investigados de cargos públicos a pedido a Polícia Civil.

As informações levantadas, através da quebra do sigilo bancário de Samantha, apontam revela movimentações financeiras suspeitas que coincidem com movimentações realizadas por outro investigado, o advogado Andrey Cavalcante de Carvalho. Existe a suspeita de que os montantes repassados para Samantha, tinham como beneficiário o marido, Ed Pereira. Já a defesa do casal afirma que o caso será esclarecido por que o casal possui fontes de renda lícitas

O que dizem as defesas

Em resposta à TVBV, o advogado de Renê Justino, Pedro de Queiroz, informou que após a audiência de custódia vai responder a todos os questionamentos. Em nota, ele afirma que recebeu com preocupação a notícia da prisão e questionou diversos pontos, inclusive questões políticas.

Confira a nota na íntegra:

“A defesa de Renê Raul  recebe com veemente irresignação e preocupação com o Estado Democrático de Direito essa nova medida extrema em face de seu constituinte. Quanto a primeira medida, já havia recentemente se manifestado nos autos exigindo a nulidade na prova decorrente da busca e apreensão de seu aparelho celular, diante da comprovada ausência do cumprimento do dever de esclarecimento ao acusado de seus direitos constitucionais ao silêncio, de não produzir provas contra si mesmo e de consultar seu advogado.

Entende a defesa técnica, nos termos e fundamentos da petição que acompanha na íntegra a presente nota que naquela ocasião, na presença de delegado e escrivã de polícia, Renê foi questionado (e portanto, efetivamente interrogado), a fim de esclarecer “onde estaria seu celular” e “qual seria a senha”, caracterizando verdadeiro interrogatório. A petição referida foi há poucos dias indeferida pelo juiz de piso e contra tal decisão recorreremos até o Supremo Tribunal Federal se necessário for, diante da clarividência de tamanha ilegalidade.

Quanto a medida de hoje, sua nulidade decorre do que chamamos da “teoria do fruto da árvore podre” ou seja, uma vez embasada em provas obtidas por meio ilícito, trata-se de medida igualmente arbitrária e ilegal. Surpreende, em ambos os casos, o mais absoluto destemor das autoridades policiais e políticas na promoção destas medidas contra o ex-secretário Ed Pereira, sua esposa e seus aliados próximos, sempre vinculados não coincidentemente a decisões políticas pessoais deste grupo; primeiro em não se filiar ao Partido Liberal do governador Jorginho Melo e agora diante da ruptura entre o ex-prefeito Gean Loureiro e seu ex e agora atual Prefeito Topazio Neto.

Não é difícil concluir que estamos a passos largos de um Estado Policialesco, pois não por outro motivo essa nota encontrará eco nas páginas políticas dos periódicos mais sérios deste país, e não de suas páginas policiais. São tempos difíceis e tempos difíceis precisam de jornalistas e advogados comprometidos com a liberdade de expressão e do exercício dos direitos e garantias constitucionais de qualquer cidadão, e neste caso de Renê Raul Justino.”

A equipe do Portal TVBV Online está tentando o contato com a defesa dos demais acusados.