5 de fevereiro de 2026
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Polícia confirma veracidade de vídeo de Orelha caminhando após horário das agressões

Imagem: Reprodução
Imagens foram divulgadas pela defesa do adolescente apontado como suspeito

A Polícia Civil (PCSC) confirmou a veracidade do vídeo apresentado pela defesa do adolescente indiciado pelas agressões que resultaram na morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. Imagens divulgadas nesta quarta-feira (4) mostram o animal caminhando normalmente (veja abaixo) em uma rua da Praia Brava após o horário estimado das agressões pela investigação.

Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, uma das responsáveis pelo caso, em nenhum momento a PCSC confirmou a informação de que Orelha teria sido agredido até a morte. “Pelo depoimento do próprio profissional que atendeu esse animal, se confirmou a versão de que essa lesão veio a evoluir ao longo desses dias. O profissional informou que não se tratava de uma lesão imediata, que esse animal havia sido agredido há cerca de dois dias”, explica.

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Segundo Mardjoli, a linha de investigação adotada era de que, apesar da gravidade dos ferimentos, a morte do cão não foi imediata. “Nós podemos perceber que ele dá uma titubeada e, ao longo daquele período, até receber o atendimento médico veterinário, ele vem a evoluir o quadro e vem a óbito”, explica. Segundo a linha cronológica montada pela PCSC, a estimativa é de que as agressões a Orelha tenham ocorrido por volta das 5h30.

O vídeo divulgado pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte mostra o que seria o cão comunitário passando caminhando por duas vezes em frente a um condomínio residencial. O registro, feito entre as 7h05 e 7h11 do dia 4 de janeiro, foi obtido de uma câmera de monitoramento na Avenida Tom Traugott Wildi, a cerca de 300 metros da orla da praia. As imagens mostram inclusive diversas pessoas passando pelo animal, sem que nada chamasse a atenção.

Foto: Reprodução/Redes sociais

O animal teria sido encontrado ferido e quase inconsciente por populares na tarde do dia seguinte, embaixo um carro. Ele foi levado para atendimento de um veterinário, que atestou que o animal apresentava “lesão grave na região da cabeça, principalmente na face esquerda com inchaço em grau grave, protrusão média do olho esquerdo, sangramento bucal e nasal, e possíveis fraturas na mandíbula e maxilar”. Essa descrição da gravidade das lesões não é observada no vídeo apresentado pela defesa.

Apesar dos esforços para reverter o quadro, Orelha morreu ainda na clínica. Posteriormente, um laudo da Polícia Científica atestou que a causa da morte foi a causa da morte foi uma “pancada contundente na cabeça”, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou garrafa.

O relatório final do inquérito conduzido pela Polícia Civil indiciou um adolescente como responsável pelas agressões que resultaram na morte do cão comunitário. Entre as provas reunidas estão imagens de 14 câmeras de monitoramento na Praia Brava, dados de geolocalização do celular do suspeito e o depoimento de 24 testemunhas. Contradições nas declarações do jovem e a interferência de familiares também levantaram suspeitas dos investigadores.

Foto: Polícia Civil (PCSC)

Registros feitos no acesso à orla da praia mostram o adolescente no local por volta das 5h25, vestindo um boné e um moletom preto. Ao ser abordado pelos policiais no Aeroporto Internacional de Florianópolis, quando retornou da viagem aos Estados Unidos, um familiar do adolescente tentou esconder um boné rosa em uma bolsa particular.

“Também durante a revista da mala desse adolescente, esse mesmo familiar apresentou um comportamento suspeito ao falar que esse moletom teria sido adquirido na viagem. Então nós resolvemos apreender esse material e comparar com as imagens que nós tínhamos obtido”, explica a delegada. As roupas que teriam sido escondidas seriam as mesmas que o jovem aparece vestindo nas imagens. O suspeito também confirmou que o moletom não foi adquirido nos Estados Unidos.

No entanto, a defesa do adolescente contesta as provas divulgadas pela PCSC, alegando que as informações divulgadas dizem respeito a “elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas”. Segundo os advogados, a investigação não conseguiu comprovar que o suspeito agrediu o cachorro enquanto estava na praia, o que a peça de roupa configura na confirmação do ato de violência contra o animal e também questiona sobre a presença de outros adolescentes circulando pelo mesmo deck à beira da praia no momento.

Confira o vídeo divulgado pela defesa

           

             

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