15 de maio de 2026
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Queda de araucária gigante mobiliza corrida de cientistas em tentativa de clonagem

Foto: Katia Pichelli / Embrapa Florestas
Árvore de 44 metros em SC era considerada a quarta maior do Brasil e com DNA raro

A queda de uma araucária gigante em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina, mobilizou uma corrida contra o tempo de cientistas em uma tentativa de clonar a árvore. Tratava-se do “Pinheirão”, a quarta maior Araucaria angustifolia do país, com 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito, segundo levantamentos realizados pelo professor Marcelo Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A planta estava na Estação Experimental da Embrapa em Caçador, área onde também está localizada a Estação Experimental da Epagri do município. Não há informações precisas sobre sua idade, nem confirmação sobre quando ocorreu a queda, mas a estimativa é de que tenha acontecido entre o fim de abril e o começo deste mês de maio.

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Em campo, a equipe avaliou a existência de brotações viáveis para o processo de resgate do DNA. “O ideal é que a coleta deste tipo de material seja feita de cinco a 10 dias após a queda. No entanto, a equipe observou brotações ainda viáveis”, explica Ivar Wendling, pesquisador da Embrapa Florestas.

O material seguiu, então, para enxertia em laboratório. O procedimento, no entanto, deve levar cerca de 100 dias para ter o sucesso confirmado. “Esse material se encontra no alto, na copa da árvore e, em virtude de sua altura, o procedimento só seria possível por meio de escalada, o que era inviável nesta árvore, ou, infelizmente, com seu tombamento”, explica Paulo César, bolsista da equipe. A iniciativa busca preservar e estudar características genéticas raras da espécie, como sua altura e longevidade.

Situação semelhante já foi enfrentada anteriormente. Em Cruz Machado (PR), uma araucária de grande porte também foi clonada após queda, em trabalho também conduzido pela Embrapa Florestas. A experiência serve de referência técnica para a operação atual em Caçador.

Para o gerente da Estação Experimental da Epagri em Caçador, Anderson Feltrim, a mobilização atual reflete não apenas o valor científico da árvore. “Também o vínculo ao longo dos anos de todos nós que convivemos com ela. Assim que constatamos a queda, acionamos a Embrapa, pois entendemos o valor científico de estudá-la”, explicou.

Idade da árvore

A idade exata do Pinheirão nunca foi determinada com precisão — seu tronco oco impedia a aplicação do método mais preciso: a dendrocronologia, que consiste na contagem dos anéis de crescimento formados ano a ano no interior do tronco. Em árvores íntegras e em pé, essa leitura pode ser feita com o uso de um trado, que retira uma amostra do lenho a partir do tronco, geralmente na altura do peito, em direção ao centro da árvore, onde estão os anéis mais antigos. Já em árvores caídas, é retirado um disco para realização da contagem.

No caso do Pinheirão, a equipe, com orientação do técnico Arnaldo Soares, da Embrapa Florestas, também vai coletar, em breve, discos do tronco em uma região onde a madeira ainda está íntegra, a cerca de 5 metros de altura. Nesse caso, a contagem dos anéis pode ser feita diretamente, mas o resultado indicará apenas uma idade mínima da árvore, já que os anos iniciais de crescimento — quando o tronco ainda não havia atingido essa altura — não estarão registrados.

           

             

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