6 de novembro de 2026
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Santiago Peña renuncia a Presidência do Paraguai após escândalo envolvendo banco

Santiago Peña. Imagem: Agência Brasil.

Ele enfrentava pressão da oposição por sua ligação com o Ueno Bank, alvo de intervenção após suspeitas de irregularidades financeiras.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou que deixará o cargo em meio a um dos episódios mais delicados de seu governo. A decisão foi tomada após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, instituição financeira que entrou em colapso e passou a ser investigada por possíveis irregularidades.

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Eleito em 2023, Peña teve sua relação com o banco colocada sob escrutínio. O chefe do Executivo paraguaio foi investidor da holding controladora da instituição até março de 2025, circunstância que motivou questionamentos sobre sua ligação com o grupo. Parlamentares da oposição chegaram a defender o impeachment do presidente. A saída deverá ser formalizada em uma sessão ainda sem data definida. O vice-presidente Pedro Alliana é apontado como sucessor de Peña na Presidência da República.

Banco deixa milhões de clientes sob incerteza

A intervenção no Ueno Bank foi anunciada em 4 de novembro, após a identificação de dificuldades para cumprir obrigações financeiras. Com aproximadamente 3 milhões de clientes e patrimônio líquido de US$ 401 milhões em junho, a instituição teve suas atividades interrompidas.

O Fundo Garantidor de Depósitos foi acionado para assegurar o ressarcimento dos correntistas, com limite de até 75 salários mínimos mensais por depositante, equivalente a cerca de R$ 210 mil. Brasileiros que utilizavam os serviços digitais do banco também estão entre os afetados.

A repercussão do caso provocou mudanças na estrutura da autoridade monetária paraguaia. Carlos Carvallo, presidente do Banco Central e ex-dirigente do Ueno Bank, deixou o cargo. Oito executivos ligados à instituição foram presos.

Ministério Público apura operações financeiras

As investigações buscam esclarecer possíveis irregularidades na administração do banco, incluindo movimentações com recursos públicos e fundos de pensão governamentais. Também são apurados empréstimos concedidos a empresas relacionadas aos acionistas e ao Grupo Vásquez, controlador da instituição.

O episódio ganhou dimensão política diante dos vínculos entre o banco e integrantes do governo. As suspeitas sobre operações financeiras e a utilização de recursos públicos levaram à comparação com o caso do Banco Master, no Brasil. A renúncia de Peña ocorre em um cenário de desgaste político e investigações ainda em andamento. Os desdobramentos do caso devem definir os próximos passos da transição no comando do Paraguai.

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