15 de julho de 2024
TVBV ONLINE
Saúde

Tecnologia vai “blindar” Aedes aegypti contra a dengue em município catarinense

Joinville é selecionado pelo Ministério da Saúde para usar tecnologia de combate à dengue

Uma metodologia inovadora e autossustentável vai começar a ser utilizada em Joinville, no Norte de Santa Catarina, no combate à dengue. A tecnologia “Wolbachia” vai complementar as demais ações de prevenção ao mosquito no município a partir de 2024.

O método Wolbachia consiste na liberação no ambiente do mosquito Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, reduzindo sua capacidade de transmissão de doenças. A técnica tem sido implementada em diversos países, inclusive no Brasil, para impedir que os vírus da dengue, chikungunya e Zika se desenvolvam no vetor. Importante destacar que não ocorre modificação genética no mosquito, bem como não causa efeitos indesejáveis em humanos.

O projeto World Mosquito Program Brasil (WMPBrasil) é desenvolvido pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde e com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). “A Secretaria de Estado da Saúde vai apoiar o município na implantação da metodologia, dando suporte técnico e de alguns insumos na implantação dessa nova tecnologia”, explica Ivânia Folster, Gerente de Vigilância de Zoonoses da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC).

 

O município de Joinville foi selecionado pelo Ministério da Saúde, com base em critérios de viabilidade climática, população residente e o histórico de alta transmissão de dengue. Além de Joinville, no Brasil, os municípios de Presidente Prudente/SP, Foz do Iguaçu/PR, Natal/RN, Uberlândia/MG e Londrina/PR também foram selecionados para implantação do Método Wolbachia.

“É importante destacar que essa tecnologia se une às outras estratégias de combate ao mosquito, que são de responsabilidade de todos. Governo e população precisam continuar fazendo sua parte. Eliminar locais com água parada continua sendo a melhor forma de prevenção das arboviroses”, destaca a gerente.

 

Wolbachia

A Wolbachia é um microrganismo presente em cerca de 60% dos insetos na natureza, mas ausente no Aedes aegypti. Uma vez inserida artificialmente em ovos do mosquito, a capacidade de transmitir o vírus fica reduzida. Com a liberação de mosquitos com a Wolbachia, a tendência é que esses mosquitos se tornem predominantes e diminua o número de casos associados a essas doenças no município.

 

Ações contra a dengue em SC

As ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti são permanentes e tratadas como prioridade pelo Governo Estadual. O Estado oferece continuamente aos municípios apoio técnico e fornecimento de insumos, como larvicidas, inseticidas e testes diagnósticos, além de veículos para aplicação dos inseticidas. Também já foram investidos recursos em ações de comunicação, como campanhas publicitárias.

Ainda, a SES anunciou o repasse de R$10 milhões aos municípios para ações de enfrentamento ao mosquito. A primeira parte (R$5 milhões) já foi disponibilizada. O recurso deverá ser utilizado pelas Secretarias Municipais de Saúde para o custeio de ações das atividades previstas nas Diretrizes Estaduais para Vigilância Epidemiológica e Controle das Arboviroses em Santa Catarina, conforme os critérios aprovados pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB), por meio da deliberação 693/CIB/2023, como contratação de pessoal, ações locais, mutirões de limpezas e outras ações necessárias para evitar a proliferação do mosquito da dengue.

 

Foto: Rodrigo Nunes/MS