As ruas de Florianópolis guardam histórias únicas e muitas são de fé. Uma delas ligada a Procissão do Senhor dos Passos que não nasceu de um decreto, mas de um imprevisto, pelo vento e o mar, que há séculos, moldavam a vida na ilha. O ano era de 1764 e a cidade ainda se chamava de Desterro quando um navio, castigado pelo mau tempo, buscou abrigo a sombra da Ilha de Santa Catarina. A bordo, mais do que carga: uma imagem sacra, o Senhor Jesus dos Passos.
A estátua, esculpida em madeira pelo baiano Francisco Chagas, tinha como destino o Rio Grande do Sul. O capitão da embarcação que fazia o transporte tentou, por diversas vezes, seguir o rumo planejado, mas sempre o vento respondia de forma contrária. Com isso, a travessia, que parecia destino tornou-se permanência. O acaso se transformou em sinal divino para os olhos e o coração de quem vivia na ilha. A população entendeu que aquela imagem não estava de passagem e sim que havia chegado.
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A escultura foi então acolhida na Capela Menino Deus, onde começou a ser venerada. E ali, entre paredes simples e orações repetidas, nasceu uma devoção que não se explica apenas pela fé, mas pela história e pela tradição. Em janeiro do ano seguinte foi fundada a a Irmandade de Nosso Senhor dos Passos com o foco de guardar a imagem. Ano após ano, gerações passaram a conduzir o Senhor dos Passos pelas ruas do Centro, em um ritual que mistura silêncio, canto, emoção e memória.
Não é apenas uma procissão, é uma narrativa coletiva encenada ao ar livre, onde cada passo ecoa os anteriores e prepara os próximos. Realizada durante a Quaresma, a celebração mantém viva uma das manifestações mais antigas de Santa Catarina. Em 2026, nos dias 21 e 22 de março, mais uma vez a cidade vai se transformar em cenário dessa travessia simbólica que é guiada pela fé. Reconhecida como patrimônio cultural imaterial, a procissão ultrapassa o campo religioso. Ela é identidade, memória viva e um encontro entre moradores e visitantes que acompanham essa tradição que resiste ao tempo. No fundo, a Procissão do Senhor dos Passos fala sobre aquilo que insiste em ficar, como a imagem que escolheu um lar.
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