Corpo de Gilvan Nogueira da Silva, de 32 anos, foi enterrado no imóvel e encontrado apenas duas semanas depois do crime
Dois traficantes acusados de matar um homem por furtar drogas e dois aparelhos celulares em Herval d’Oeste, no Oeste de Santa Catarina, foram condenados a 43 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Os réus estavam presos preventivamente durante a tramitação do processo e já iniciaram o cumprimento da pena.
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O crime aconteceu em agosto de 2024, na região do bairro São Jorge. Conforme consta na denúncia, os réus comercializavam entorpecentes na “Casa do Roque”, local conhecido pela prática, quando uma operação policial mirou aquela área. Eles fugiram rapidamente, deixando alguns pertences para trás.
Pouco tempo depois, um usuário de drogas, identificado como Gilvan Nogueira da Silva, de 32 anos, chegou no local para comprar entorpecentes. Diante da ausência dos vendedores, ele furtou drogas e dois aparelhos celulares que estavam na residência, deixando o imóvel na sequência. Quando os traficantes retornaram, se surpreenderam com o sumiço das mercadorias e dos celulares, passando a interrogar um dos ocupantes da construção. Crentes que o interrogado era o responsável pelo furto, fizeram o rapaz cavar a própria cova.
No entanto, Gilvan voltou na sequência e tentou trocar um dos aparelhos furtados por drogas. Os traficantes reconheceram o celular, liberaram o outro rapaz e levaram a vítima para dentro do imóvel, o questionando sobre o furto. Eles passaram a torturar o homem e o mataram com 36 golpes de faca. Após a morte, os réus jogaram o corpo dentro da cova recém-aberta e o enterraram por ali, configurando crime de ocultação de cadáver. Gilvan só foi encontrado duas semanas depois.
A dupla foi investigada pela Polícia Civil de Santa Catarina e denunciada pelo Ministério Público, que reconheceu as práticas de homicídio qualificado – por motivo fútil e mediante tortura da vítima – e ocultação de cadáver. A justiça acolheu a tese e condenou um dos traficantes a 23 anos e um mês de reclusão, enquanto o outro recebeu a pena de 20 anos e dois meses. O cumprimento das duas sentenças será em regime inicialmente aberto. Cabe recurso da decisão, mas foi negado aos réus o direito de responder em liberdade.
Imóvel usado para o tráfico é alvo de ação civil pública
O ponto de tráfico de drogas conhecido como “Casa do Roque” é objeto de Ação Civil Pública proposta pelo MPSC, buscando a demolição do imóvel após a identificação de que era usado por integrantes de facções catarinenses e gaúchas para a prática de tráfico de drogas e outros crimes graves, o que ficou bem caracterizado nos meses de julho e agosto de 2024, quando houve a prisão em curto espaço de tempo de vários traficantes, apreensão de volume considerável de drogas, armas de fogo, dinheiro em espécie, objetos usados no comércio ilegal e um drone utilizado para monitorar a polícia militar.
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