2 de novembro de 2026
TVBV ONLINE
Filipe Costeira

Verdade Inconveniente: Por que o Avaí se tornou insustentável e está na série C

Imagem: Ilustração feita por IA

Senhoras e senhores, hoje preciso lhes dizer uma “Verdade Inconveniente”: o Avaí vive um dos momentos mais dramáticos de sua história centenária. O rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro é apenas o sintoma de um câncer financeiro que corrói os bastidores da Ressacada. Passei o domingo levantando alguns números, fazendo contas e resolvi trazer à tona o que todo torcedor talvez não goste de ler, mas precisa saber para entender a atual situação do Leão da Ilha. Vou tentar ser o mais didático possível. Vamos aos números.

> Siga nosso canal no WhatsApp e receba as notícias do TVBV Online em primeira mão

O Raio-X do Passivo

Para entender o tamanho da asfixia financeira, veja como se dividem as dívidas que o clube associativo acumulou e precisa carregar para 2027:

  • Recuperação Judicial (RJ): R$ 48 milhões em dívidas vencidas até 2023. Atualmente, este montante está parcelado e negociado, com os pagamentos relatados em dia.
  • Acordo Tributário: R$ 210 milhões em impostos atrasados. Através da transação tributária, o clube conseguiu um deságio que reduziu o montante real para R$ 90 milhões, pagos em parcelas mensais de R$ 565 mil. Se atrasar uma única parcela, o benefício é cancelado e a dívida volta ao valor original.
  • O Segundo Semestre de 2025: Uma verdadeira bomba-relógio de R$ 65 milhões exclusivamente em dívidas trabalhistas acumuladas no período (gestão Júlio Heerdt).
  • Salários Correntes (2026): A folha atual acumula atrasos crônicos e chegará a dezembro estimada entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões.

O Avaí caiu para a Série C, e a realidade matemática na terceira divisão é cruel

Por que o Avaí é Insustentável na Série C? (Sem a SAF)

Caso o contrato com a Kactus Capital não seja assinado de forma definitiva, o ano de 2027 na Série C será dificílimo. Com a queda de divisão, as receitas despencam para patamares alarmantes.

Receitas Próprias Projetadas (Série C):
  • Sócios-Torcedores: R$ 3,0 milhões/ano (cerca de R$ 250 mil a R$ 300 mil por mês).
  • Patrocínios (Sem Casas de Apostas): R$ 5,0 milhões/ano.
  • Direitos de TV e Liga: R$ 2,0 milhões/ano (onde ocorre a maior queda de faturamento).
  • Venda de Atletas: R$ 3,5 milhões/ano (projeção baseada em ativos sem conta com Josmar e Thayllon, que podem render algum dinheiro).
  • ARRECADAÇÃO TOTAL PROJETADA: R$ 13,5 milhões/ano.

O Custo da Sobrevivência:

Para montar um elenco minimamente competitivo para buscar o acesso, o custo operacional na Série C gira em torno de R$ 2,5 milhões por mês (R$ 30 milhões por ano). Somando o custo fixo obrigatório do parcelamento tributário (R$ 6,78 milhões/ano), o Avaí precisa de R$ 36,78 milhões apenas para abrir as portas.

A conta é simples: o clube arrecadará R$ 13,5 milhões para pagar uma conta de quase R$ 37 milhões. A receita própria não cobre sequer 40% do custo de vida na terceira divisão. A conta simplesmente não fecha.

Por que a Série B também seria insustentável para a realidade do Avaí?

Agora, vamos pensar um pouco na Série B — uma competição que indiscutivelmente tem mais visibilidade, mais dinheiro circulando, estruturas diferentes e a divisão onde o Avaí mais sabe competir. Uma das verdades inconvenientes está justamente aqui: a Série B, para a realidade financeira atual do Avaí, também se tornou insustentável e gera prejuízos crônicos.

  • Orçamento de Competição: O mercado do futebol exige um orçamento mínimo de R$ 60 milhões anuais para que um clube jogue a Série B de forma minimamente competitiva, brigando na parte de cima.
  • O Sufoco Operacional: Mesmo que a Série B injetasse cerca de R$ 25 milhões em direitos de transmissão, o clube iniciaria o ano com o passivo de cerca de R$ 25 milhões da temporada anterior (salários atrasados de 2026) para quitar logo de largada. Somando os custos correntes e as parcelas fiscais, o Avaí precisaria faturar mais de R$ 90 milhões em um único ano para equilibrar o caixa. Isso está totalmente fora da realidade comercial do modelo associativo. Mesmo somando a arrecadação de sócios, novos patrocinadores e vendas de jogadores, o buraco continuaria aberto.

A Conclusão:

Este quadro foi amplamente alertado ao Conselho Deliberativo ao longo dos últimos anos. A conclusão matemática é unânime: o investidor (Kactus Capital) precisa azer sua parte. E até onde sabemos vem atuando e firmando com sua palavra de que vai assumir o Avaí.

Esse dinheiro não será usado para trazer grandes contratações ou astros internacionais, mas sim para injetar oxigêniono clube. O aporte servirá para quitar os salários atrasados de 2026, estancar o déficit real da Série C, liquidar as execuções trabalhistas sufocantes e manter os acordos fiscais ativos. Sem a SAF, o Avaí não tem orçamento 2027.

A conta chegou para o Avaí em 2026. O rebaixamento é a consequência direta de uma série de fatores acumulados: vaidades, gastança desenfreada, descuido com a instituição e flagrante despreparo de gestão. O Avaí de hoje paga pelo histórico de incompetência de seus últimos gestores.

Bernardo Pessi, quando assumiu o fardo da presidência, sabia muito bem do tamanho de suas responsabilidades. Futebol não se faz apenas despejando dinheiro; futebol se faz com competência, sabedoria e, principalmente, quando o dinheiro é escasso, com extrema eficiência.

México reconhece regionalização para Newcastle e limita restrições a SC

Barreiras de importação de carne de frango e produtos avícolas passam a valer exclusivamente para o estado

O governo do México oficializou o reconhecimento do princípio de regionalização sanitária para a Doença de Newcastle no Brasil. Com a medida, as barreiras de importação de carne de frango e produtos avícolas passam a valer exclusivamente para o estado de Santa Catarina, onde foram identificados focos da enfermidade.