6 de fevereiro de 2026
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Veterinário que atendeu Orelha descarta atropelamento; veja o que disse em depoimento

Orelha era um cão comunitário, cuidado espontaneamente por diversos moradores da Praia Brava, em Florianópolis, por cerca de 10 anos. Foto: Reprodução/Redes sociais
Profissional reafirmou à PCSC que identificou ferimentos ‘exclusivamente na região da cabeça’

O médico-veterinário que atendeu o cão comunitário Orelha, supostamente morto em decorrência de agressões em Florianópolis, afirma que o animal não foi vítima de atropelamento. A informação foi confirmada em depoimento no inquérito conduzido pela Polícia Civil (PCSC), obtido pela reportagem do TVBV Online nesta sexta-feira (6).

Orelha foi levado por uma popular para atendimento da clínica de Derli Royer, no Norte da Ilha, no dia 5 de janeiro, um dia após a data em que ele teria sido brutalmente agredido na Praia Brava. Segundo o veterinário, a hipótese de que o cão teria sido atropelado foi descartada ao analisar que ele apresentava ferimentos “exclusivamente” na região da cabeça.

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O relatório da Delegacia de Proteção Animal (DPA) de Florianópolis afirma que, “embora a resgatante tenha cogitado atropelamento, o depoente suspeitou imediatamente de maus-tratos mediante agressão física”. O veterinário justificou sua suspeita “no fato de não haver escoriações ou raladuras pelo corpo ou patas, lesões que são típicas de atropelamentos”.

Segundo Royer, ao receber o animal, percebeu que Orelha estava quase inconsciente e mal conseguia se manter em pé. Ainda no depoimento, o veterinário descreveu à PCSC que o cão apresentava “sangramentos pelas vias nasais e bucais, além de protusão ocular”. O profissional relatou ainda que percebeu “ruídos característicos na
mandíbula e no maxilar do animal, sugerindo possíveis fraturas” e que “as lesões eram compatíveis com ação de instrumento contundente, como barra de ferro ou pedaço de madeira, e não apresentavam perfurações ou cortes.

> Imagens de adolescentes na praia onde Orelha foi atacado são ilustrativas, afirma PCSC

O veterinário também constatou que Orelha apresentava “respiração forçada e vocalização de dor intensa”. Diante da gravidade dos ferimentos e do sofrimento do cachorro, ele decidiu administrar um sedativo para que o animal dormisse, momento em que ele acabou morrendo. O depoimento desmente boatos de que o cão teria sido empalado ou perfurado com pregos.

Ao final da oitiva, o profissional reafirmou que “a única região lesionada era a cabeça, sem qualquer outra marca pelo restante do corpo do animal.” Todas essas descrições constam no relatório de atendimento assinado por Derli Royer no dia 5 de janeiro. O documento foi anexado junto a outros materiais de interesse da investigação e divulgado posteriormente pela PCSC.

Imagem: Reprodução

O que dizem os advogados do suspeito

O depoimento do médico-veterinário contraria afirmações recentes da defesa do adolescente apontado como autor das supostas agressões, de que Orelha poderia ter sido atropelado. Segundo a investigação, o cachorro teria sido violentamente agredido pelo suspeito por volta das 5h25 do dia 4 de janeiro. Um vídeo divulgado posteriormente pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte mostra o animal caminhando normalmente na Avenida Tom Traugott Wildi entre as 7h05 e 7h11 do mesmo dia. As imagens foram feitas por uma câmera de monitoramento em frente a um condomínio.

A Polícia Civil confirmou a veracidade das imagens e que o cachorro que aparece se trata de Orelha. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, uma das responsáveis pelo caso, em nenhum momento a PCSC confirmou a informação de que Orelha teria sido agredido até a morte. “Pelo depoimento do próprio profissional que atendeu esse animal, se confirmou a versão de que essa lesão veio a evoluir ao longo desses dias. O profissional informou que não se tratava de uma lesão imediata, que esse animal havia sido agredido há cerca de dois dias”, explica.

Segundo Mardjoli, a linha de investigação adotada era de que, apesar da gravidade dos ferimentos, a morte do cão não foi imediata. “Nós podemos perceber que ele dá uma titubeada e, ao longo daquele período, até receber o atendimento médico veterinário, ele vem a evoluir o quadro e vem a óbito”, afirma a delegada. Nas imagens, é possível ver que diversas pessoas passando por Orelha, mas sem que nada chamasse a atenção.

           

             

Imagens de adolescentes na praia onde Orelha foi atacado são ilustrativas, afirma PCSC

Polícia diz que tem registro do momento em que jovem vai à praia sozinho, mas optou por divulgar vídeo de uma hora depois

A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) informou nesta sexta-feira (6) que as imagens divulgadas do adolescente apontado como responsável pelas agressões ao cão comunitário Orelha, em Florianópolis, têm “caráter meramente ilustrativo”. Em nota, a corporação explica que a gravação feita próximo à orla da Praia Brava não corresponde ao momento em que os fatos teriam ocorrido.

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