Advogados do adolescente contestam versão da Polícia Civil e questionam pontos deixados em aberto pela investigação
A defesa do adolescente apontado pela Polícia Civil (PCSC) como responsável pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, divulgou nesta quarta-feira (4) um vídeo que supostamente mostra o animal ainda vivo, contestando a versão da investigação. O registro de uma câmera de monitoramento na Praia Brava foi feito no dia 4 de janeiro, poucas horas após o momento em que o crime teria ocorrido.
Segundo o relatório da conclusão do inquérito, divulgado pela PCSC nesta terça-feira (3), Orelha teria sido morto por volta das 5h30 na Praia Brava. No entanto, o vídeo divulgado pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte mostra o que seria o cão comunitário circulando próximo a contêineres de lixo em frente a um condomínio. Essas imagens foram feitas entre as 7h05 e 7h11 na Avenida Tom Traugott Wildi, a cerca de 300 metros da orla da praia.
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Por meio de nota, a defesa do adolescente indiciado afirma que as informações divulgadas pela PCSC no encerramento das investigações representam “elementos meramente circunstanciais”, e não constituem prova ou possibilitam conclusões definitivas sobre a autoria das agressões que resultaram na morte do cachorro. “A defesa atua de forma técnica e responsável, orientada pela busca da verdade real e pela demonstração da inocência, e protesta contra o fato de, até o momento, ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito”, escreve a nota.
Destacamos que a politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço inflamam a opinião pública a partir de investigações frágeis e inconsistentes que prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes”, continua a defesa do jovem.
Após a divulgação do inquérito, os advogados pontuaram questões que foram deixadas em aberto pela investigação:
- Onde está a comprovação da agressão?
- Onde estão as imagens?
- O que a peça de roupa configura na confirmação do ato de violência contra o animal?
- Neste mesmo horário, há imagens de outros adolescentes circulando pelo mesmo deck de madeira.
Foto: Polícia Civil (PCSC)
O que diz a investigação?
A Polícia Civil (PCSC) reuniu uma série de indícios para conseguir chegar a um suspeito das agressões contra Orelha. Foram analisadas mais de 1 mil horas de 14 câmeras de monitoramento em diversos pontos do bairro da Praia Brava para acompanhar as últimas movimentações de Orelha e também dos investigados. Na cronologia montada pelos investigadores, o adolescente saiu de casa às 5h25 e voltou somente às 5h58, acompanhado de uma amiga.
Contradições durante o depoimento e interferências de familiares do investigado levantaram suspeitas da PCSC. O jovem teria afirmado que não saiu de casa naquela madrugada e que estava com a amiga na piscina do condomínio nesse intervalo de tempo. “Esse foi o grande ponto de contradição nas declarações do adolescente. Ele não sabia que tínhamos as imagens dele saindo e voltando”, afirma o delegado Renan Balbino, um dos responsáveis pelo caso.
A versão da polícia é confirmada por imagens de uma câmera de monitoramento em um dos acessos à orla da praia, onde o jovem aprece inicialmente sozinho, e volta acompanhado da amiga. As roupas que aparecem no vídeo também chamaram a atenção dos agentes no momento em que o suspeito retornou da viagem aos Estados Unidos. Ao ser abordado pelos policiais, um familiar do adolescente tentou esconder um boné rosa em uma bolsa particular.
“Também durante a revista da mala desse adolescente, esse mesmo familiar apresentou um comportamento suspeito ao falar que esse moletom teria sido adquirido na viagem. Então nós resolvemos apreender esse material e comparar com as imagens que nós tínhamos obtido”, explica a delegada Mardjoli Valcareggi. As roupas que teriam sido escondidas seriam as mesmas que o jovem aparece vestindo nas imagens. O suspeito também confirmou que o moletom não foi adquirido nos Estados Unidos.
Além desses elemento, a investigação reuniu outras provas do momento em que ele esteve fora do condomínio e próximo da praia, como o controle de acesso da portaria e o depoimento de testemunhas. Um programa digital francês também ajudou os investigadores a analisar a localização do celular do responsável durante o ataque fatal a Orelha.
O cão comunitário, que era cuidado há cerca de 10 anos por moradores da Praia Brava, foi encontrado na tarde de 5 de janeiro por populares. Orelha estava ainda vivo, mas praticamente inconsciente e apresentava ferimentos graves e inchaço na cabeça. Ele foi levado para atendimento médico veterinário, mas não resistiu e morreu. Um laudo da Polícia Científica concluiu que a causa da morte foi uma “pancada contundente na cabeça”, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou garrafa.
> Entenda o que pode acontecer com os suspeitos de matar o cão Orelha em Florianópolis
A Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que irá se manifestar sobre os pontos levantados pela defesa ainda nesta quarta-feira (4). O relatório do inquérito já está sendo analisado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MSPC), que pode pedir novas medidas para aprofundar a investigação, pedir o arquivamento do caso ou oferecer a denúncia ao Poder Judiciário.
Confira o vídeo divulgado pela defesa
Entenda como a polícia conseguiu apontar um suspeito de matar o cão Orelha
Contradições, tentativa de esconder roupas e outras provas levaram a Polícia Civil de Santa Catarina a apontar um responsável
A Polícia Civil (PCSC) indiciou nesta terça-feira (3) um adolescente apontado como principal responsável pelas agressões brutais que levaram à morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. Os indícios reunidos pela investigação para comprovar a suspeita envolvem contradições no depoimento e a tentativa de um familiar de esconder roupas utilizadas pelo jovem na data do crime.





Foto: Polícia Civil (PCSC)