4 de fevereiro de 2026
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VÍDEO: Defesa divulga supostas imagens de Orelha vivo após horário das agressões

Imagem: Reprodução
Advogados do adolescente contestam versão da Polícia Civil e questionam pontos deixados em aberto pela investigação

A defesa do adolescente apontado pela Polícia Civil (PCSC) como responsável pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, divulgou nesta quarta-feira (4) um vídeo que supostamente mostra o animal ainda vivo, contestando a versão da investigação. O registro de uma câmera de monitoramento na Praia Brava foi feito no dia 4 de janeiro, poucas horas após o momento em que o crime teria ocorrido.

Segundo o relatório da conclusão do inquérito, divulgado pela PCSC nesta terça-feira (3), Orelha teria sido morto por volta das 5h30 na Praia Brava. No entanto, o vídeo divulgado pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte mostra o que seria o cão comunitário circulando próximo a contêineres de lixo em frente a um condomínio. Essas imagens foram feitas entre as 7h05 e 7h11 na Avenida Tom Traugott Wildi, a cerca de 300 metros da orla da praia.

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Por meio de nota, a defesa do adolescente indiciado afirma que as informações divulgadas pela PCSC no encerramento das investigações representam “elementos meramente circunstanciais”, e não constituem prova ou possibilitam conclusões definitivas sobre a autoria das agressões que resultaram na morte do cachorro. “A defesa atua de forma técnica e responsável, orientada pela busca da verdade real e pela demonstração da inocência, e protesta contra o fato de, até o momento, ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito”, escreve a nota.

Destacamos que a politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço inflamam a opinião pública a partir de investigações frágeis e inconsistentes que prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes”, continua a defesa do jovem.

Após a divulgação do inquérito, os advogados pontuaram questões que foram deixadas em aberto pela investigação:

  • Onde está a comprovação da agressão?
  • Onde estão as imagens?
  • O que a peça de roupa configura na confirmação do ato de violência contra o animal?
  • Neste mesmo horário, há imagens de outros adolescentes circulando pelo mesmo deck de madeira.
Foto: Polícia Civil (PCSC)

O que diz a investigação?

A Polícia Civil (PCSC) reuniu uma série de indícios para conseguir chegar a um suspeito das agressões contra Orelha. Foram analisadas mais de 1 mil horas de 14 câmeras de monitoramento em diversos pontos do bairro da Praia Brava para acompanhar as últimas movimentações de Orelha e também dos investigados. Na cronologia montada pelos investigadores, o adolescente saiu de casa às 5h25 e voltou somente às 5h58, acompanhado de uma amiga.

Contradições durante o depoimento e interferências de familiares do investigado levantaram suspeitas da PCSC. O jovem teria afirmado que não saiu de casa naquela madrugada e que estava com a amiga na piscina do condomínio nesse intervalo de tempo. “Esse foi o grande ponto de contradição nas declarações do adolescente. Ele não sabia que tínhamos as imagens dele saindo e voltando”, afirma o delegado Renan Balbino, um dos responsáveis pelo caso.

A versão da polícia é confirmada por imagens de uma câmera de monitoramento em um dos acessos à orla da praia, onde o jovem aprece inicialmente sozinho, e volta acompanhado da amiga. As roupas que aparecem no vídeo também chamaram a atenção dos agentes no momento em que o suspeito retornou da viagem aos Estados Unidos. Ao ser abordado pelos policiais, um familiar do adolescente tentou esconder um boné rosa em uma bolsa particular.

Orelha era um cão comunitário, cuidado espontaneamente por diversos moradores da Praia Brava, em Florianópolis, por cerca de 10 anos. Foto: Reprodução/Redes sociais

Também durante a revista da mala desse adolescente, esse mesmo familiar apresentou um comportamento suspeito ao falar que esse moletom teria sido adquirido na viagem. Então nós resolvemos apreender esse material e comparar com as imagens que nós tínhamos obtido”, explica a delegada Mardjoli Valcareggi. As roupas que teriam sido escondidas seriam as mesmas que o jovem aparece vestindo nas imagens. O suspeito também confirmou que o moletom não foi adquirido nos Estados Unidos.

Além desses elemento, a investigação reuniu outras provas do momento em que ele esteve fora do condomínio e próximo da praia, como o controle de acesso da portaria e o depoimento de testemunhas. Um programa digital francês também ajudou os investigadores a analisar a localização do celular do responsável durante o ataque fatal a Orelha.

O cão comunitário, que era cuidado há cerca de 10 anos por moradores da Praia Brava, foi encontrado na tarde de 5 de janeiro por populares. Orelha estava ainda vivo, mas praticamente inconsciente e apresentava ferimentos graves e inchaço na cabeça. Ele foi levado para atendimento médico veterinário, mas não resistiu e morreu. Um laudo da Polícia Científica concluiu que a causa da morte foi uma “pancada contundente na cabeça”, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou garrafa.

> Entenda o que pode acontecer com os suspeitos de matar o cão Orelha em Florianópolis

A Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que irá se manifestar sobre os pontos levantados pela defesa ainda nesta quarta-feira (4). O relatório do inquérito já está sendo analisado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MSPC), que pode pedir novas medidas para aprofundar a investigação, pedir o arquivamento do caso ou oferecer a denúncia ao Poder Judiciário.

Confira o vídeo divulgado pela defesa

           

             

Entenda como a polícia conseguiu apontar um suspeito de matar o cão Orelha

Contradições, tentativa de esconder roupas e outras provas levaram a Polícia Civil de Santa Catarina a apontar um responsável

A Polícia Civil (PCSC) indiciou nesta terça-feira (3) um adolescente apontado como principal responsável pelas agressões brutais que levaram à morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. Os indícios reunidos pela investigação para comprovar a suspeita envolvem contradições no depoimento e a tentativa de um familiar de esconder roupas utilizadas pelo jovem na data do crime.

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