22 de abril de 2026
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Chegada de Cabral ao Brasil não ocorreu em Porto Seguro, sugere pesquisa

Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, por Oscar Pereira da Silva (1922). Imagem: Wikimedia Commons
Simulações realizadas por físicos indicam que correntes marítimas podem ter levado portugueses a outro ponto do litoral brasileiro

Este dia 22 de abril marca os 526 anos da chegada da esquadra do português Pedro Álvares Cabral ao território brasileiro. O fato, ensinado nas escolas como marco inicial da história do Brasil, aponta que os chamados “descobridores” desembarcaram em Porto Seguro, na Bahia. Uma pesquisa científica, no entanto, questiona a forma como os fatos narrados por Pero Vaz de Caminha foram interpretados.

O estudo foi realizado pelos físicos Carlos Chesman, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Cláudio Furtado, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Segundo os autores, a conclusão do trabalho sugere que o primeiro contato dos portugueses pode ter ocorrido no litoral do Rio Grande do Norte, não na Bahia.

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A pesquisa foi publicada na revista científica The Journal of Navigation, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Para analisar essa possibilidade, o trabalho considerou informações como dados da carta de Pero Vaz de Caminha relatando as descobertas de Cabral, além de variáveis físicas, como simulações de ventos, correntes marítimas e profundidade do oceano.

Para chegar até a nova hipótese do desembarque dos portugueses no Brasil, os pesquisadores cruzaram informações históricas com dados físicos e matemáticos. Para isso, foi preciso converter as “braças” descritas nas cartas para metros, estudar a profundidade do oceano, analisar correntes marítimas e ventos no Oceano Atlântico e rodas todos esses dados em simulações feitas por programas de computador.

Imagem: Reprodução dos autores

Após a análise teórica e a interpretação física do contexto, os físicos Carlos e Cláudio foram a campo e realizaram expedições reais em alto-mar, navegando a cerca de 30 quilômetros da costa do nordeste, para tentar reproduzir a visão descrita pelos navegadores.

Para os pesquisadores, não há uma única prova definitiva sobre o assunto. No entanto, a análise das correntes marítimas sugere que a rota natural das embarcações do século XV favoreceria a chegada dos portugueses pelo litoral do Rio Grande do Norte, ao invés de pela Bahia.

As simulações realizadas indicaram que seguir os ventos levaria a frota a fazer uma trajetória em “S”, chegando ao local onde hoje fica o município de São Miguel do Gostoso. A conclusão sugere que a rota em linha reta, que levaria as caravelas ao sul da Bahia, não seria compatível com a navegação da época. Nesse caso, o monte descrito por Caminha não seria o Monte Pascoal (BA), mas sim o Monte Serra Verde (RN).

           

             

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