15 de maio de 2026
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Operação mira pagamento de propina no fornecimento de merenda escolar em Blumenau

Foto: Prefeitura de Blumenau
GAECO aponta favorecimento na contratação de empresa responsável pelo repasse de R$ 3,6 milhões a agentes públicos

Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) expôs o pagamento de mais de R$ 3,6 milhões em propina a agentes públicos de Blumenau no contrato para fornecimento de merenda às escolas do município. Esta é a terceira ação contra corrupção em dois dias envolvendo a Prefeitura da terceira maior cidade de Santa Catarina.

A Operação “Arbóreo” cumpre nove mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais vinculados aos investigados nos municípios de Blumenau e Indaial, no Vale do Itajaí, e também em Araucária (PR). Durante as buscas, foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos, mídias e outros elementos relevantes para o esclarecimento dos fatos e do envolvimento dos suspeitos.

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O inquérito conduzido pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau apura que o esquema de propina foi instalado mediante a manipulação de uma licitação para a contratação de fornecimento de refeições a unidades da rede pública de ensino. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a empresa do setor alimentício vencedora foi favorecida para possibilitar o repasse sistemático de valores a agentes públicos do primeiro e segundo escalão da administração pública.

O contrato investigado foi firmado em abril de 2022, após um certame que, segundo o MPSC, envolveu o compartilhamento de informações sigilosas e manobras jurídicas. As apurações apontam que o valor da propina foi estabelecido no percentual de 3% sobre cada pagamento da Prefeitura à empresa. Estima-se que, entre julho de 2022 e dezembro de 2024, o montante da propina tenha ultrapassado R$ 3,6 milhões. O contrato foi rescindido pela nova administração em janeiro de 2025.

O GAECO revelou ainda que os pagamentos pelo serviço eram monitorados em tempo real. Assim que as faturas eram liquidadas, um dos envolvidos realizava viagens “bate e volta” à sede da empresa em Araucária para coletar os valores da propina em espécie. Depois disso, o dinheiro era distribuído aos operadores em encontros realizados em locais como residências de investigados, o estacionamento da própria Prefeitura e supermercados, sempre buscando discrição.

De acordo com o MPSC, as condutas investigadas correspondem aos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e fraude à licitação. O nome dos investigados não foi divulgado, uma vez que a investigação corre em sigilo. O nome da operação, “Arbóreo”, faz referência ao tipo de arroz, em alusão ao nome da empresa investigada por supostamente efetuar o pagamento de propina aos agentes públicos.

O que diz a Prefeitura

Esta é a terceira operação do GAECO realizada na Prefeitura de Blumenau em dois dias. Nesta quarta-feira (6), a Operação “Ponto Final” teve como alvo um suposto esquema de cartel, fraude em licitações e superfaturamento de contratos públicos na construção dos terminais urbanos Oeste e Norte da cidade. Nesta quinta-feira, a Operação “Sentinela” revelou um suposto esquema de desvio de dinheiro público mediante fraudes em licitações, inclusive na contratação emergencial de seguranças para escolas após o ataque à Creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, em abril de 2023, que deixou quatro crianças mortas.

Por meio de nota oficial, a Prefeitura de Blumenau argumentou que as duas operações realizadas pelo GAECO nesta quinta-feira investigam contratos firmados pela gestão do ex-prefeito Mário Hildebrandt, encerrada em 2024. “A atual administração está à disposição das autoridades e colabora de forma transparente com as investigações, reafirmando seu compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos”, completa o comunicado.

           

             

Blumenau: Esquema de corrupção atingiu contratação de seguranças após ataque a creche

Operação do GAECO aponta para desvio de dinheiro público mediante fraudes a licitações

Uma suspeita de desvio de dinheiro público mediante fraudes em licitações na Prefeitura de Blumenau, no Vale do Itajaí, é alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) nesta quinta-feira (7). A investigação aponta inclusive para irregularidades na contratação emergencial de seguranças para as escolas após o ataque que deixou quatro crianças mortas em uma creche, em abril de 2023.