22 de maio de 2026
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Mulher é resgatada da própria família após 40 anos em situação análoga à escravidão

Foto: SIT/Divulgação
Vítima foi submetida a trabalho forçado desde a infância no Vale do Itajaí; operação encontrou resistência por parte da família e ameaças a agentes

Uma mulher foi resgatada após viver por mais de 40 anos em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), ela era submetida a trabalho forçado doméstico desde a infância, pelos próprios familiares, sem remuneração, em jornadas exaustivas, com restrição de locomoção e em condições degradantes. A operação também encontrou resistência de familiares, que tentaram impedir a ação e chegaram a ameaçar agentes com facas.

O caso divulgado nesta quinta-feira (21), teve sua ação realizada no dia 12 de maio. A ação foi realizada no dia 12 de maio por equipes da SIT, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, com apoio da Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Defensoria Pública da União e profissionais de assistência social e psicologia.

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Relato de exploração desde a infância

As investigações tiveram início a partir de denúncias anônimas encaminhadas aos órgãos de fiscalização. Durante a operação, os agentes constataram que a vítima vivia há décadas em situação de extrema vulnerabilidade, com indícios de possível debilidade cognitiva e forte isolamento social.

Segundo os agentes, durante a abordagem a mulher apresentava sinais de neurodivergência, além do medo de deixar a casa e os familiares. Após ser retirada do local, a mulher relatou aos auditores-fiscais que realizava atividades domésticas de forma contínua desde a infância, sem qualquer tipo de remuneração ou acesso a direitos trabalhistas. Moradores da região também relataram que ela raramente era vista fora da residência, o que reforça os indícios de isolamento prolongado ao longo dos anos.

Confira imagens de onde a mulher morava

De acordo com a Secretaria de Inspeção do Trabalho, familiares da vítima tentaram impedir a entrada das equipes na propriedade e dificultar o contato com a mulher. Mesmo com apoio policial, houve registros de ameaças contra os agentes durante a ação. Após o resgate, a vítima foi acolhida pela rede de proteção social e encaminhada para atendimento médico e acompanhamento psicossocial.

Outros crimes identificados no local

Durante a fiscalização, os agentes encontraram ainda uma serraria em funcionamento na mesma propriedade, operando de forma irregular. No local, havia trabalhadores sem registro formal e expostos a condições de risco.

Segundo os fiscais, máquinas operavam sem proteção adequada, com partes cortantes expostas e ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs). Pelo menos cinco trabalhadores atuavam de forma informal, sem acesso a direitos trabalhistas básicos.

Confira imagens do momento da abordagem

Investigação em andamento

O caso segue sob investigação das autoridades competentes, que irão apurar possíveis crimes como redução à condição análoga à escravidão, cárcere privado e maus-tratos, eventuais irregularidades trabalhistas, além de esclarecer a duração exata das violações e possíveis responsabilidades adicionais.

A identidade dos envolvidos não foi divulgada.

Mulher é resgatada de trabalho análogo à escravidão em Florianópolis após fugir de condomínio

Etíope foi recrutada no exterior e trazida ao Brasil; caso envolve suspeita de servidão por dívida, isolamento e violência psicológica

Uma trabalhadora doméstica etíope de 34 anos foi resgatada de uma situação análoga à escravidão em um condomínio fechado no bairro Rio Tavares, em Florianópolis, após fugir da residência onde, segundo autoridades, era submetida a jornadas exaustivas de até 15 horas diárias, violência psicológica, retenção de documentos e restrição de liberdade. O caso foi divulgado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nesta quinta-feira (21), e está sendo investigado como possível crime previsto na legislação brasileira e em tratados internacionais de direitos humanos.