Grupo funcionava de maneira hierarquizada e organizada, com produção de materiais próprios, vigia em grupo pelas ruas e cobrança de mensalidade dos membros “batizados”
Quatorze membros de uma célula neonazista com atuação em Santa Catarina e outros três estados brasileiros viraram réus em um processo penal para apurar a prática criminosa, que envolvia apologia à supremacia ariana e extrema violência contra pessoas de raças consideradas “inferiores”. Entre os denunciados pelo Ministério Público de SC está o líder do grupo criminoso, que era conhecido pelos seus seguidores como “Führer Brasileiro” – inspirado no codinome de Adolf Hitler. Eles responderão por organização criminosa e apologia ao nazismo.
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A investigação acerca da atuação do grupo revelou uma atuação extremamente organizada e hierarquizada. Segundo a denúncia, o grupo tinha reuniões presenciais regulares, nas quais eram debatidos temas relacionados à disseminação da ideologia e recrutamento de novos membros. Os encontros também serviam para organizar discursos de ódio por meio das redes sociais de forma anônima e “rolês”, onde os membros iam às ruas para fazer vigias, com intuito de identificar, perseguir e confrontar indivíduos e coletivos considerados ideologicamente antagônicos. Um dossiê chegou a ser preparado com a identidade de possíveis alvos de retaliação.
Foi apurado também que cada um dos participantes passava por uma espécie de “batismo” e era obrigado a pagar uma taxa mensal para permanecer no grupo. O valor arrecadado era utilizado para pagamento de despesas internas, produção de camisetas e outros materiais de propaganda, além da manutenção das atividades. Os itens eram personalizados com o símbolo pela organização: o “Sol Negro”, emblema associado ao ocultismo nazista e à supremacia ariana, tendo ao centro a figura de um fuzil AK-47. O símbolo, segundo a própria interpretação do grupo, representaria a supremacia branca e a exaltação da violência, evidenciando a disposição para o uso da força como instrumento de imposição ideológica.
Hierarquia bem definida
O chefe máximo da organização, o “Führer Brasileiro”, era o principal responsável por coordenar os ataques e convocar as reuniões, com apoio especial de um outro membro, identificado como seu “braço direito”. Também foi apurada a colaboração de agentes da área da segurança pública, como uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo e um Policial Militar paulista, que prestariam apoio dentro de suas corporações, bem como um advogado que, além de integrante, prestaria apoio jurídico. A célula neonazista também tinha a participação de outras nove pessoas, que foram consideradas de menor expressão. Todos eles foram presos pela Operação Nuremberg, deflagrada em Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.
Operação Nuremberg
A operação foi deflagrada no dia 31 de outubro por meio do CyberGAECO e com apoio operacional das polícias civis dos quatro estados investigados. Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão nos municípios de Cocal do Sul/SC, Jaraguá do Sul/SC, São Paulo/SP, Campinas/SP, Taboão da Serra/SP, Osasco/SP, São José dos Pinhais/PR, Curitiba/PR, Araucária/PR e Aracaju/SE. Durante as buscas foram apreendidos diversos materiais de apologia ao nazismo, além de armas brancas, faca e “soco inglês”.
A operação recebeu o nome “Nuremberg” em alusão aos julgamentos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial, que representaram um marco histórico na responsabilização de indivíduos por crimes de ódio, extremismo e intolerância. De forma simbólica, a denominação refletiu o propósito da presente ação policial, voltada ao enfrentamento de grupos extremistas que propagam ideologias violentas e atentatórias à ordem pública e ao Estado Democrático de Direito.
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