Espécie é considerada vulnerável, com muitos aspectos de sua biologia e comportamento pouco conhecidos pelos cientistas
No último domingo (14), uma baleia-fin (Balaenoptera physalus), considerada a segunda maior baleia do planeta, foi avistada no Canal de Ilhabela, no litoral de São Paulo. O registro foi feito por Marcos Cará, da Maremar Turismo, durante uma saída embarcada na região.
De acordo com o Julio Cardoso, do Projeto ProBaleia, aparições de baleias-fin vivas próximas à costa brasileira são extremamente raras. A espécie costuma habitar áreas oceânicas mais afastadas do litoral e, no Brasil, normalmente são encontradas apenas carcaças de animais que chegam à costa após longos deslocamentos. Segundo ele, há registro de um avistamento da espécie em Ilhabela há cerca de dois anos, porém fora do canal. Dentro do Canal de Ilhabela, este pode ser o primeiro registro conhecido.
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“A baleia-fin é superada em tamanho apenas pela baleia-azul e pode atingir até 27 metros de comprimento. Conhecida pelo corpo alongado e mais esguio, também é considerada a mais rápida entre as grandes baleias, alcançando velocidades de até 45 km/h. Sua alimentação é baseada principalmente em krill, pequenos peixes e crustáceos”, afirmou Júlio.
O animal observado em Ilhabela tinha aproximadamente 15 a 16 metros de comprimento, indicando tratar-se de um indivíduo juvenil. Ainda segundo Julio Cardoso, a baleia aparentava estar mais magra do que o normal e apresentava um possível problema na mandíbula inferior direita, que pode ter sido deslocada ou quebrada em decorrência de uma colisão. A lesão pode comprometer sua capacidade de alimentação.
As baleias-fin enfrentam riscos relacionados ao tráfego marítimo. Apesar de serem muito velozes, possuem visão frontal limitada, o que aumenta a possibilidade de colisões com embarcações, especialmente navios que se aproximam pela frente. A espécie foi intensamente caçada ao longo do século passado e ainda é considerada vulnerável, com muitos aspectos de sua biologia e comportamento permanecendo pouco conhecidos pelos cientistas.
Temporada de migração
Durante os meses de maio, junho, julho e agosto baleias jubarte iniciam a migração das águas frias da costa antártica para as águas mais quentes da América do Sul. O destino final desses mamíferos é o Arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, próximo da costa de Caravelas (BA). O arquipélago é considerado um berçário de baleias, que gestam seus filhotes por 11 meses e migram das águas frias para dar à luz em águas mais quentes.
Outras duas espécies de baleias podem ser vistas na costa de Ilhabela. As baleias-de-bryde, ou baleias tropicais, e as baleias francas-austrais, que realizam a migração para o litoral de Santa Catarina, e podem ser vistas na costa de Imbituba.
Ao longo dos últimos 10 anos, essas baleias começaram a passar mais tempo no litoral de Ilhabela em vez de nadar até o arquipélago na Bahia. Segundo dados levantados pela Associação ProBaleia, em 2016 foram feitos apenas 20 registros de jubartes. Em 2020, esse número saltou para 158; em 2023, foram 786; e em 2024, 561 registros. Neste ano, o ProBaleia já registrou 3 avistamentos de jubartes.
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