Pesquisa inédita aponta conhecimento e comportamento dos brasileiros frente aos sinais da doença
Oito em cada 10 brasileiros reconhecem a gravidade dos sintomas de câncer de intestino, mas quase metade ignora os sinais e deixa de buscar atendimento médico. É o que revelou uma pesquisa inédita do hospital A.C. Camargo Cancer Center, de São Paulo, e da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, realizada entre junho e julho de 2026.
Segundo o levantamento “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país, mesmo sem qualquer contato com a doença, 80% dos entrevistados soube reconhecer como grave a presença de sangue nas fezes ou a mudança de funcionamento no intestino por mais de um mês. Esses são dois dos principais sintomas da doença, associados por 67% dos entrevistados ao câncer.
O tema ganha ainda mais relevância diante dos números recentes da doença no país. Em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros. A doença é a mesma que a cantora Preta Gil, que faleceu em julho do ano passado, enfrentou durante dois anos.
Entre o alerta e a ação, uma lacuna perigosa
Apesar de identificar sinais da doença, o estudo aponta que ainda há uma distância entre reconhecer o risco e agir diante dele. Dos entrevistados que afirmaram já terem notado a presença de sangue nas fezes (9), embora 59% tenham buscado atendimento médico imediatamente, uma parcela expressiva de 40% não teve essa reação: 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar, 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.
Segundo a pesquisa, a busca imediata por avaliação médica é maior entre quem tem melhores condições financeiras (86%), brasileiros acima dos 60 anos (72%) e moradores do Sudeste (72%). As mulheres (63%) também costumam buscar mais ajuda imediata do que os homens (54%). Entre os moradores do Norte/Centro-Oeste, chega a 43% o número de entrevistados que apenas esperou o sintoma passar.
Exame de rastreamento ainda é desconhecido pela maioria
Outra descoberta preocupante da pesquisa é o desconhecimento sobre ferramentas de rastreamento precoce. Dois em cada três brasileiros (67%) nunca ouviram falar do exame “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), recurso simples e utilizado para identificar sinais da doença antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes.
Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram. O desconhecimento chega a 85% entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, e também é maior do que a média entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e que estudaram apenas até o ensino fundamental (72%).
Atenção aos sintomas
Diante do crescimento da doença no país, especialistas do hospital A.C. Camargo reforçam a importância de não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente, além da realização de exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.
“O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, comenta o Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C. Camargo Cancer Center.
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