21 de agosto de 2026
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Burnon: o que é e como o excesso de produtividade afeta a saúde mental

Foto: Banco de imagens
Sentir culpa ao descansar, continuar conectado durante as férias e relacionar o próprio valor à produtividade são alguns sinais de alerta

Continuar entregando resultados mesmo diante de cansaço, tensão e dificuldade para se desligar do trabalho pode esconder um quadro de estresse crônico. O chamado Burnon descreve esse cenário: a pessoa mantém a produtividade e assume responsabilidades mesmo sob tensão constante.

Natália Reis Morandi, psicóloga hospitalar da Rede de Hospitais São Camilo, explica que o sofrimento pode passar despercebido porque a pessoa continua funcionando. “O problema é que essa produtividade pode estar sendo sustentada por um estado permanente de tensão, cobrança e dificuldade de se desligar, gerando sofrimento emocional.”

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O Burnon ainda é um conceito em desenvolvimento e não é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o burnout. No burnout, a exaustão tende a comprometer de forma mais evidente a relação com o trabalho. No Burnon, mesmo esgotada, a pessoa pode manter uma boa performance.

Quando a dedicação deixa de ser saudável

Sentir culpa ao descansar, continuar conectado durante as férias e relacionar o próprio valor à produtividade são alguns sinais de alerta. Cansaço persistente, dificuldade para relaxar, irritabilidade, alterações no sono e ansiedade também podem aparecer.

Esses sinais podem passar despercebidos porque o profissional continua cumprindo suas tarefas e entregando resultados. “Muitas vezes, inclusive, recebe elogios pelo seu comprometimento o que pode estar sustentando seu adoecimento”, afirma Morandi.

Sem períodos adequados de recuperação, o estresse constante pode afetar a saúde física e emocional e contribuir para problemas de sono, alterações de humor, dificuldades cognitivas e prejuízos nos relacionamentos.

Como interromper esse ciclo

Ambientes competitivos, jornadas extensas, hiperconectividade e cobrança permanente por resultados podem favorecer esse padrão. Perfeccionismo e autocobrança elevada também podem contribuir, mas a responsabilidade não é apenas do trabalhador. Carga excessiva, pouca autonomia e recursos insuficientes também precisam ser considerados.

Para a psicóloga, empresas devem evitar tratar a disponibilidade permanente como sinônimo de comprometimento e criar espaços seguros para falar sobre saúde mental. “As intervenções não podem ficar restritas a ensinar o trabalhador a ‘lidar melhor com o estresse’”, afirma.

No dia a dia, estabelecer horários claros de início e término da jornada, criar períodos sem celular ou e-mail profissional e preservar sono, lazer e relações sociais podem ajudar. A busca por ajuda profissional é indicada quando a pessoa não consegue mais se desconectar ou percebe prejuízos na qualidade de vida.

“O Burnon nos chama atenção para um sofrimento que pode existir antes de a pessoa parar de funcionar. Não precisamos esperar alguém entrar em colapso para reconhecer que aquela forma de trabalhar já não é saudável”, conclui a psicóloga.

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