25 de agosto de 2026
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Estudo desvenda como víboras usam cauda como ‘isca’ para caçar

Imagem: Banco de imagens
Análise de mais de 200 espécies revela que o movimento rítmico para atrair presas evoluiu em conjunto com mudanças na dieta e no veneno ao longo da vida dos répteis

Evolução sincronizada ao longo da vida

De acordo com a pesquisa, três características caminham lado a lado na evolução desses répteis:

  • Cauda com cor diferenciada do restante do corpo;
  • Comportamento rítmico de ondulação para atrair presas;
  • Mudança gradual de dieta à medida que o animal atinge a maturidade.

Enquanto os filhotes caçam animais de sangue frio (anfíbios e lagartos), os adultos passam a se alimentar principalmente de mamíferos e aves. Essa transição é acompanhada pela perda da coloração chamativa da cauda e até por alterações na composição do veneno, que se torna mais potente para as presas da fase adulta. “O estudo mostra que essas características não evoluíram de forma independente. Elas fazem parte de uma mesma estratégia adaptativa construída ao longo de milhões de anos de evolução, aumentando a eficiência da caça em diferentes fases da vida desses animais”, explica o professor Reuber Brandão.

Do guizo à ‘aranha falsa’

A família Viperidae abriga algumas das adaptações mais impressionantes entre os répteis:

  • Jararacas (Bothrops): Os filhotes costumam ter a ponta da cauda clara ou amarelada para atrair anfíbios.
  • Cascavéis (Crotalus): Desenvolveram o famoso guizo na extremidade da cauda como mecanismo de alerta e defesa.
  • Víbora-chifruda-de-cauda-de-aranha (Pseudocerastes urarachnoides): Nativa do sudoeste asiático, possui uma formação anatômica na ponta da cauda que imita com perfeição o formato e o movimento de uma aranha para caçar aves.

Importância médica e ecológica

Além de esclarecer lacunas históricas sobre a evolução animal, os pesquisadores ressaltam a urgência de proteger esses animais e desmistificar o medo popular.

No Brasil, existem cerca de 400 espécies de serpentes registradas, mas apenas 17% oferecem risco real à saúde humana. As víboras desempenham um papel ecológico indispensável no equilíbrio ambiental, atuando diretamente no controle de populações de roedores e pragas.

Além disso, os venenos têm enorme valor para a medicina. Medicamentos amplamente utilizados contra a hipertensão e doenças cardiovasculares, como o Captopril, foram desenvolvidos a partir de moléculas encontradas no veneno da jararaca brasileira (Bothrops jararaca). “Viperídeos são difíceis de estudar devido à dificuldade de encontrá-los em campo e ao medo que muitas pessoas têm deles. Compreender sua história natural e seu comportamento é fundamental tanto para a conservação dessas espécies quanto para entendermos como a evolução produz estratégias tão sofisticadas de sobrevivência”, conclui Aída Pereira Giozza.

Como surgem estratégias complexas de sobrevivência na natureza? Uma pesquisa liderada por uma bióloga brasileira ajudou a responder a essa pergunta ao reconstruir, de forma inédita, a evolução de um dos comportamentos de caça mais curiosos do reino animal: o uso da cauda como isca por serpentes.

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A análise, que avaliou mais de 200 espécies de víboras ao redor do mundo, revelou que o movimento da cauda não surgiu de forma isolada. Ele evoluiu em conjunto com transformações físicas, adaptações no veneno e mudanças nos hábitos alimentares dos animais conforme chegam à fase adulta.

O estudo, publicado na conceituada revista científica Ethology Ecology & Evolution, baseia-se na dissertação de mestrado da bióloga Aída Pereira Giozza, da Universidade de Brasília (UnB). A pesquisa foi orientada pelo professor Reuber Brandão, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), em parceria com a professora Veronica Slobodian (UnB), além de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

O truque da ‘isca viva’

Na natureza, muitas víboras jovens usam uma tática engenhosa chamada engodo caudal. O animal permanece completamente camuflado e imóvel, mexendo apenas a ponta da cauda em movimentos rítmicos. A ondulação imita pequenos invertebrados, como larvas e vermes. Atraídos pelo que parece ser uma refeição fácil, presas como sapos e lagartos se aproximam — e é nesse momento que a serpente dá o bote certeiro. Para potencializar o disfarce, a ponta da cauda de muitas espécies jovens tem uma coloração bem destacada (frequentemente amarelada ou esbranquiçada), tornando o engano ainda mais irresistível.

Evolução sincronizada ao longo da vida

De acordo com a pesquisa, três características caminham lado a lado na evolução desses répteis:

  • Cauda com cor diferenciada do restante do corpo;
  • Comportamento rítmico de ondulação para atrair presas;
  • Mudança gradual de dieta à medida que o animal atinge a maturidade.

Enquanto os filhotes caçam animais de sangue frio (anfíbios e lagartos), os adultos passam a se alimentar principalmente de mamíferos e aves. Essa transição é acompanhada pela perda da coloração chamativa da cauda e até por alterações na composição do veneno, que se torna mais potente para as presas da fase adulta. “O estudo mostra que essas características não evoluíram de forma independente. Elas fazem parte de uma mesma estratégia adaptativa construída ao longo de milhões de anos de evolução, aumentando a eficiência da caça em diferentes fases da vida desses animais”, explica o professor Reuber Brandão.

Do guizo à ‘aranha falsa’

A família Viperidae abriga algumas das adaptações mais impressionantes entre os répteis:

  • Jararacas (Bothrops): Os filhotes costumam ter a ponta da cauda clara ou amarelada para atrair anfíbios.
  • Cascavéis (Crotalus): Desenvolveram o famoso guizo na extremidade da cauda como mecanismo de alerta e defesa.
  • Víbora-chifruda-de-cauda-de-aranha (Pseudocerastes urarachnoides): Nativa do sudoeste asiático, possui uma formação anatômica na ponta da cauda que imita com perfeição o formato e o movimento de uma aranha para caçar aves.

Importância médica e ecológica

Além de esclarecer lacunas históricas sobre a evolução animal, os pesquisadores ressaltam a urgência de proteger esses animais e desmistificar o medo popular.

No Brasil, existem cerca de 400 espécies de serpentes registradas, mas apenas 17% oferecem risco real à saúde humana. As víboras desempenham um papel ecológico indispensável no equilíbrio ambiental, atuando diretamente no controle de populações de roedores e pragas.

Além disso, os venenos têm enorme valor para a medicina. Medicamentos amplamente utilizados contra a hipertensão e doenças cardiovasculares, como o Captopril, foram desenvolvidos a partir de moléculas encontradas no veneno da jararaca brasileira (Bothrops jararaca). “Viperídeos são difíceis de estudar devido à dificuldade de encontrá-los em campo e ao medo que muitas pessoas têm deles. Compreender sua história natural e seu comportamento é fundamental tanto para a conservação dessas espécies quanto para entendermos como a evolução produz estratégias tão sofisticadas de sobrevivência”, conclui Aída Pereira Giozza.

João Fonseca não se recupera de lesão a tempo e desiste do US Open

Brasileiro conviveu com lesões ao longo de 2026, mas havia disputado todos os Grand Slams até aqui

O tenista brasileiro João Fonseca anunciou que não vai participar do US Open 2026, último Grand Slam da temporada, por conta de um problema abdominal. O número 24 do mundo chegou a desistir do Aberto de Cincinatti para não agravar a lesão e focar na recuperação, mas não conseguiu melhorar a tempo e optou por desistir do torneio.