Trabalhadora da saúde e liderança de movimentos sociais, Laís Chaud apresentou propostas da Unidade Popular (UP) no Band Cidade
A corrida pelo Governo de Santa Catarina começou a ganhar espaço na TVBV nesta terça-feira (25), com a primeira entrevista da série de conversas com os candidatos no programa Band Cidade, da TVBV. A entrevistada foi com Laís Paganelli Chaud, da Unidade Popular (UP), que concorre ao Palácio da Agronômica com o número 80 e tem Nathália Melo como candidata a vice. Aos 31 anos, Laís é psicóloga e trabalhadora da área da saúde. Natural de Piracicaba, no interior de São Paulo, vive em Florianópolis há 12 anos, onde cursou Psicologia e concluiu mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A candidatura é a primeira de Laís ao governo estadual.
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A trajetória política começou ainda durante a universidade, no movimento estudantil. Laís participou da construção de gestões do Centro Acadêmico Livre de Psicologia e atuou como representante discente em diferentes instâncias da UFSC. Também participou das mobilizações de 2016 e das greves de 2019 contra o projeto Future-se, voltado à educação pública. Fora do ambiente universitário, a candidata construiu atuação ligada aos movimentos por moradia e reforma urbana. Atualmente, é coordenadora nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e presidente do diretório municipal da UP em Florianópolis. Também integra o Movimento de Mulheres Olga Benário, com atuação voltada ao combate à violência contra as mulheres. Entre as bandeiras apresentadas pelo partido estão o combate à violência contra as mulheres, a valorização dos trabalhadores, o fim da escala 6×1 e mudanças nas condições de trabalho.
Segundo ela, a campanha está sendo boa e a militância está nas ruas em contato com os trabalhadores. “A campanha da Unidade Popular (UP) tem o principal foco de conhecer mais os operários das fábricas do estado, mas também das empresas, das terceirizadas, então a nossa campanha está principalmente destinada para falar com essa categoria da população. Vote 80, vote na Unidade Popular. A UP é um partido jovem, um partido que é construído por movimentos sociais e talvez muitos dos catarinenses não conheçam o nosso partido”, comentou Chaud. Ela reforçou que tem alegria em apresentar um programa, que é um programa diferente, que visa construir uma sociedade em que o povo possa tomar as decisões e possa gerir a sociedade. “Essa sociedade para nós se chama socialismo e a gente tem a certeza que apresentando esse programa, em que os trabalhadores possam ter esse poder, o povo catarinense vai conseguir ter uma opção de voto mais consciente”, completou.
Confira as propostas da candidata:
1. Por que a senhora quer ser governadora de Santa Catarina?
“O Feminicídio e a violência contra as mulheres continuam crescendo no estado. Além disso, produzimos riquezas que os trabalhadores de Santa Catarina não usufruem. Só a produção de carne em Chapecó é o suficiente para alimentar o Brasil 14 vezes, mas mesmo assim, o operário da agro-indústria encontra dificuldade de comprar carne no mercado. O alto custo de vida e os baixos salários, fazem com que os trabalhadores trabalhem longas jornadas e vendem o almoço para comprar a janta. Vamos aumentar em 100% o salário mínimo, reduzir a jornada de trabalho e acabar com o feminicídio.
2. Quais são as propostas para a Educação, incluindo o ensino superior?
“Em primeiro lugar, defendemos a educação pública e o maior investimento nesse setor, além do fim das escolas cívico-militares. Precisamos urgentemente de um amplo concurso para chamar mais professores, auxiliares de sala e o retorno das merendeiras, seguranças e trabalhadores da limpeza, sem contratos com empresas terceirizadas. Além disso, defendemos o fim do vestibular através da ampliação de vagas e unidades da UDESC”.
3. Na Saúde quais são as propostas?
“Todos os dias os trabalhadores passam por filas nos hospitais, postos de saúde e aguardam há anos por cirurgias. Vamos resolver isso, convocando os trabalhadores para resolver seus próprios problemas. Vamos convocar grandes frentes de trabalho para construção de hospitais e em parceria com as universidades, realizar uma grande chamada de médicos para zerar as filas de cirurgia. A saúde tem que ser pública, mas para isso, todo político eleito em Santa Catarina tem que usar o SUS. Não vamos privatizar o Hospital Regional de São José e nenhum outro”.
4. O que o seu plano de governo tem para a Segurança Pública de uma maneira geral?
“Defendemos a desmilitarização da polícia. A segurança pública se dá através da melhora das condições de vida da população, aumento dos salários, moradia digna e educação, não através da repressão diária que principalmente o povo negro sofre quando a PM entra nas favelas. Também defendemos juízes eleitos para o povo, e o confisco de bens de todos os corruptos, que são os verdadeiros criminosos”.
5. Como enfrentar a situação da violência contra a mulher?
“É necessária uma política efetiva de atendimento às mulheres vítimas de violência. No estado entre janeiro e julho aconteceram 36 casos de feminicídio, uma verdadeira epidemia. Mesmo assim, Santa Catarina não tem nenhuma DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) que funcione 24h, muito menos nos finais de semana. Além disso, são poucos os centros de referência e outras políticas de atendimento que possam garantir a segurança. Assim, defendemos espaços de organização, acolhimento e ajuda de mulheres para mulheres, além de maior representação de mulheres trabalhadoras na política”.
6. em relação à Infraestrutura, o que será feito para incrementar essa área?
“O catarinense sofre muito no trânsito. Diariamente são horas perdidas além do risco de vida que passamos todos os dias. Vamos resolver isso convocando os trabalhadores a revitalizar nossas linhas férreas e implementar o passe livre irrestrito para o transporte público. Para isso, é necessário a melhoria e estatização de todo esse transporte. Defendemos também o fim das concessões privadas aos portos de Santa Catarina”.
7. Como será realizada a geração de empregos estimulando a criação de vagas?
“Reduzir a jornada de trabalho é urgente. Isso vai criar mais empregos e além disso fortalecerá a indústria catarinense, parando de vender a preço de banana nossos recursos para outros países enquanto nós não consumimos o que produzimos. Com a participação popular, vamos criar grandes frentes emergenciais de trabalho para a construção de escolas, moradias, hospitais e etc, além de executar uma reforma agrária e urbana”.
8. Sendo que o estado tem mais de 12 mil pessoas em situação de rua, o senhor considera a situação como um problema social, de segurança pública ou os dois e por que?
“Isso é fruto das condições formadas pelo sistema capitalista de produção. Enquanto um trabalhador gera lucro para o seu patrão, as condições básicas de vida vão ser sempre uma mercadoria e a vida das pessoas é tratada como descartável. A população em situação de rua não pode ser tratada como descartável ou como criminosa, devemos acolher e dar condições de atendimento através do sistema público de saúde e da melhora de condições de moradia, emprego e renda”.
9. No que se refere ao Turismo e Cultura quais são as propostas?
“A cultura popular deve ser valorizada. Os trabalhadores devem ter direito à cultura e ao lazer, através de políticas públicas de cultura. Não à privatização das praias, praças e espaços de lazer. Além disso, devemos garantir condições dignas de trabalho para quem vive do turismo ou trabalha de maneira sazonal, que são impedidos de ter acesso aos direitos trabalhistas”.
10. O que está previsto no plano de governo para o meio ambiente?
“Temos que resolver o problema do saneamento básico em Santa Catarina, as praias e rios estão sendo contaminados por conta do sucateamento e terceirização da CASAN e empresas de saneamento em todo o estado. É inadmissível que uma cidade como Blumenau tenha somente 40% do esgoto coletado e 38% tratado. Além disso, vamos fortalecer a defesa civil para trabalhar na prevenção de desastres na efetivação de planos de emergência mais eficazes”.
Acompanhe como foi a conversa no Band Cidade da TVBV:
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