Decisão ocorre em meio à crise no STF, marcada por acusações, decisões conflitantes e disputa envolvendo a cúpula da Polícia Federal
O ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada do sigilo de parte dos processos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master. A decisão ocorreu após pedido feito pelo presidente da Corte, Edson Fachin, nesta quinta-feira (10). Permanecem sob sigilo informações relacionadas a diligências que possam comprometer o andamento das investigações, e caberá a Mendonça definir quais documentos poderão ser divulgados.
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A medida ocorre após uma sequência de acontecimentos que aprofundou a crise envolvendo o STF. As investigações ganharam novos contornos a partir da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em novembro de 2025. Mensagens encontradas no celular do empresário revelaram contatos com ministros da Corte e levantaram suspeitas sobre uma possível rede de influência envolvendo autoridades públicas e informações sigilosas das investigações.
Entenda a crise no STF
Em 1º de setembro de 2026, Mendonça já havia determinado a retirada do sigilo da Petição 16.662, tornando públicos relatórios da Polícia Federal com conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. No dia seguinte, o Partido Novo pediu providências contra o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Também veio a público um encontro entre Mendonça e Vorcaro ocorrido em março de 2025, antes de o ministro assumir a relatoria do caso. A assessoria de Mendonça afirmou que a reunião teve caráter institucional e ocorreu antes de sua atuação no processo.
A crise se intensificou em 3 de setembro, quando Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça, atribuindo ao colega suspeitas de crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade com base em um relatório político da Polícia Federal sem embasamentos técnicos. Na mesma noite, Mendonça pediu a Fachin o afastamento de Moraes de suas funções. O presidente do STF instaurou procedimento e deu prazo para que autoridades da Corte, da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal prestassem esclarecimentos.
No dia 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada da Costa. A decisão apontou supostas irregularidades na atuação da área de inteligência da corporação. No dia seguinte, 9 de setembro, o ministro Flávio Dino acolheu recurso do próprio Rodrigues e suspendeu o afastamento atropelando a decisão de outro magistrado
Diante da sequência de decisões individuais conflitantes, Fachin interveio para tentar restabelecer a condução colegiada do caso. O presidente do STF suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a reintegração determinada por Dino, manteve cautelarmente os dirigentes da PF nos cargos e determinou que Andrei Rodrigues prestasse esclarecimentos. Fachin também reassumiu a condução da fase preliminar do Inquérito 4.781, que trata das chamadas fake news, retirando de Moraes essa atribuição. A expectativa é que o Plenário do STF se reúna em sessão extraordinária no dia 15 de setembro, quando os ministros deverão analisar os desdobramentos da Petição 16.662 e as questões relacionadas ao comando da Polícia Federal.
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Assista ao Comentário do Prisco no Band Cidade
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