Dados mostram que mais da metade dos aposentados da classe D continuam trabalhando
Um relatório publicado em 2023 apontou que apesar de as pessoas estarem vivendo mais no Brasil, a qualidade do envelhecimento é desigual entre as diferentes classes sociais. Os dados da pesquisa revelam que mais da metade dos aposentados da classe D continuam trabalhando e que mais de 40% das mulheres 50+ de classe C e D ajudam financeiramente os filhos e netos.
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O crescimento da população idosa é um fenômeno mundial e, atualmente, cerca de 2 bilhões de pessoas compõem esse grupo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, as pessoas com 50 anos ou mais representam 27% da população total – o equivalente a 59 milhões de brasileiros.
No entanto, um estudo denominado “Velhices periféricas: o descompasso entre os tempos de viver, trabalhar, cuidar e sustentar”, aponta que o crescimento da longevidade no Brasil ocorre de maneira desigual. O relatório divide os tempos da longevidade periférica entre o tempo de vida, de trabalho, de saúde e de dinheiro.
Desalinhamento estrutural
A expectativa de vida nas periferias aumentou, mas o tempo vivido com saúde estagnou devido a falta de acesso à medicina preventiva. Conforme analisado, 42,5% do público 50+ das classes C/D nunca tiveram plano de saúde e 61% recorrem às Unidades Básicas de Saúde (UBS) como porta de entrada.
Além disso, a dificuldade de sustentar o lar apenas com a aposentadoria faz com que essa população se veja obrigada a continuar trabalhando ao invés de descansar. De acordo com o relatório, 52% dos aposentados da classe D continuam trabalhando, enquanto apenas 33,8% têm a aposentadoria como fonte de renda principal. Além disso, 41% das pessoas 50+ das classes C e D trabalham de forma autônoma.
Mulheres 50+ são a maioria nas periferias
Ainda conforme o estudo, 54,6% das pessoas 50+ de classes C e D são mulheres (70% se autodeclaram negras ou pardas), e 43% deste público ajudam financeiramente filhos e netos. Segundo os autores, a mulher negra periférica tem um papel central na longevidade brasileira, sustentando lares, cuidando de gerações, mas envelhecendo com menos renda, saúde e proteção.
O relatório conclui que viver muito é apenas parte da equação — o verdadeiro desafio para a sociedade e o mercado é alinhar os quatro tempos, transformando a longevidade quantitativa em uma experiência acompanhada de dignidade, saúde e segurança financeira.
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