Hoje, meu foco será um pouco diferente: quero falar sobre o que aconteceu na Libertadores. A eliminação do Corinthians, que teve a bola da salvação nos pés do seu craque mais caro e viu o sonho voar, literalmente, para fora do estádio.
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A eliminação do Corinthians na Neo Química Arena, sacramentada pelos pés — ou melhor, pelo chute isolado — de Memphis Depay, é a crônica de uma tragédia anunciada. O futebol costuma cobrar juros altíssimos de quem prioriza o status em detrimento do planejamento. A bola que subiu e sumiu na noite de quarta-feira levou consigo não apenas o sonho do bicampeonato da Libertadores, mas escancarou a fragilidade de um projeto sustentado pelo ego.
A renovação de Memphis, fechada em agosto por astronômicos R$ 135 milhões, já nasceu sob o signo da discórdia. O Corinthians, asfixiado por dívidas históricas, escolheu ceder à pressão das arquibancadas e renegociar um casamento que dava sinais de desgaste. Para manter o astro holandês até 2028, o clube aceitou empacotar pendências passadas e transformá-lo no atleta mais caro do país. O torcedor celebrou o “fico” como um título. Mal sabia que assinava ali o recibo da eliminação da “Liberta”.
O que se viu em campo após a assinatura do contrato foi o retrato da negligência. Memphis retornou da Copa do Mundo fora de forma, não realizou pré-temporada e virou refém de um erro médico crasso na recuperação de sua lesão muscular. Ainda assim, em um elenco carente de referências técnicos, foi lançado aos leões por Fernando Diniz. O resultado? Um futebol burocrático, pesado e o pífio saldo de apenas um gol marcado na temporada. Memphis jogava com o nome; o Corinthians sofria com a realidade.
Quando o destino ofereceu a chance da redenção no último minuto dos acréscimos contra o Estudiantes, o roteiro parecia desenhado para o herói da camisa 10. Mas o futebol desmascara quem não o respeita. Ao isolar a cobrança e, logo em seguida, fugir da zona mista violando regras da Conmebol, Memphis agiu como o jogador que a imprensa holandesa costuma descrever: alguém que se coloca acima da própria instituição.
A fúria da Fiel que picha os muros do Parque São Jorge hoje é legítima, mas carece de autocrítica. O Corinthians colhe exatamente o que plantou ao inflar a folha salarial por um atleta de grife em declínio técnico. Resta saber se o clube aprenderá a lição para o restante do Brasileirão ou se continuará pagando um preço milionário para assistir ao seu maior investimento falhar quando o clube mais precisa.
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