Poucos lugares conseguem permanecer tão vivos na lembrança de uma cidade mesmo depois de desaparecerem da paisagem. Em Florianópolis, o Miramar é um desses símbolos. Erguido sobre as águas da Baía Sul, diante do antigo cenário da região central, o restaurante foi muito mais do que um endereço gastronômico: era um ponto de encontro, cartão-postal e testemunha de uma época em que a relação da cidade com o mar fazia parte do cotidiano. Miramar, vizinho da Praça XV de Novembro, ocupava uma posição privilegiada, avançando sobre as águas da baía Sul e oferecendo aos visitantes uma vista singular.
Ali, o movimento das águas acompanhava conversas, encontros familiares e momentos de celebração. O restaurante integrava a vida social da capital catarinense e ajudava a compor uma Florianópolis que ainda preservava, em muitos aspectos, a atmosfera de uma cidade voltada para o mar. Inaugurado em 28 de setembro de 1928, o Miramar nasceu junto ao trapiche municipal e, durante quase meio século, acompanhou as transformações de Florianópolis. Ele recebeu boêmios, artistas, músicos, jornalistas, políticos e foliões. Nas proximidades, as regatas de remo movimentavam a baía, enquanto o Centro pulsava entre o comércio, a vida cultural e os encontros à beira-mar.
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Contudo o tempo deixou marcas e com o passar dos anos, perdeu parte do protagonismo e chegou à década de 1970 em condições precárias. O golpe final veio com a modernidade e com o projeto do Aterro da Baía Sul. Em 24 de outubro de 1974, as máquinas puseram fim a essa história. Florianópolis não perdeu apenas um ponto de encontro, mas também uma parte de sua relação cotidiana com o mar e um resquício de sua própria memória. O aterro mudou definitivamente o desenho da região central. Onde antes havia águas próximas às praças e aos trapiches, surgiu uma nova configuração urbana. O horizonte marítimo afastou-se das ruas, mudaram os hábitos, encontros e formas de experimentar o Centro. Em 2001, um memorial com referências à estrutura original do Miramar foi instalado na Praça Fernando Machado e permanecem como vestígios discretos de uma Florianópolis que já teve o mar como vizinho mais próximo.
Entre bruxas, sombras e imaginários, Florianópolis mergulha no cinema fantástico
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