19 de outubro de 2026
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Flávio Jr

118 anos do nascimento de Franklin Cascaes

Florianópolis também é feita de histórias que não cabem nos livros. Elas moram nas conversas de varanda, nos causos contados à beira-mar, no medo das bruxas, no encanto das rendeiras e na memória de quem aprendeu a escutar os segredos da Ilha. Foi nesse universo de tradições, crenças e imaginário popular que Franklin Cascaes encontrou matéria para sua arte e inspiração para toda uma vida.

Nascido em 16 de outubro de 1908, Franklin Joaquim Cascaes dedicou sua trajetória a registrar a cultura açoriana e as narrativas que atravessavam gerações em Florianópolis e nas comunidades do litoral catarinense. Artista, pesquisador, escultor e desenhista, percorreu localidades, ouviu moradores e reuniu histórias que poderiam se perder com o passar do tempo.

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Em suas mãos, o barro ganhou formas de personagens fantásticos, o papel acolheu relatos de bruxas e feiticeiras, e o desenho se tornou testemunha de um mundo onde o cotidiano e o sobrenatural conviviam sem pedir licença à razão. Cascaes não tratava essas narrativas apenas como folclore: reconhecia nelas a expressão de uma comunidade, de seus medos, de sua fé e de sua maneira particular de compreender a vida.

O trabalho de Cascaes ajudou a preservar a memória de uma Florianópolis que se transformava, guardando costumes, expressões e modos de viver que resistiam nas pequenas comunidades da Ilha e do continente. Ao recolher essas histórias, também preservou a voz de pessoas que raramente ocupavam o centro dos registros oficiais. Neste ano comemoramos 118 anos do nascimento do artista e celebrar este fato é mais do que recordar a trajetória de um artista. É reconhecer a importância de quem compreendeu que a identidade de um lugar também se constrói com imaginação, oralidade e memória. Franklin Cascaes deu forma ao invisível e mostrou que as lendas, mesmo quando habitam o território do fantástico, revelam muito sobre quem somos.

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