Investigação mira suspeitas ligadas ao Ueno Bank e à evolução patrimonial do presidente que renunciou em meio à crise
O Ministério Público do Paraguai abriu um processo penal e designou uma equipe de procuradores para investigar denúncias contra o presidente Santiago Peña, em meio à sessão extraordinária do Congresso desta quinta-feira (5), em Assunção, que decide se aceita ou não a renúncia ao cargo.
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Processo penal e foco das investigações
De acordo com o jornal local Hoy, o órgão nomeou os procuradores Elena Fiore Franco, Silvia González Vöster e Christian Manuel Cáceres, da unidade especializada em crimes econômicos e corrupção. A equipe atuará sob a coordenação da procuradora-adjunta Nancy Salomón Marín.
A apuração mira suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos depositados no banco Ueno e sua relação com empresas ligadas ao grupo financeiro. A investigação foi aberta após parlamentares da oposição apresentarem uma denúncia contra Peña e iniciarem um processo de impeachment contra o presidente.
Entre os pontos levantados pelos deputados, estão divergências nas declarações de patrimônio entre 2017 e 2023, a participação de Peña em companhias vinculadas ao Ueno e o aumento de bens considerado incompatível com o exercício do cargo.
A denúncia pede ainda que o Ministério Público investigue membros do conselho do Banco Central do Paraguai e autoridades de órgãos públicos que mantiveram dinheiro depositado no Ueno Bank, além de possíveis falhas de fiscalização nas operações da instituição.
Suspeitas de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro
Os oposicionistas apontam possíveis crimes de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e administração fraudulenta. Eles defendem que sejam apuradas eventuais responsabilidades de agentes públicos em decisões que favoreceram o banco e empresas ligadas ao grupo controlador.
Conforme os parlamentares, o objetivo é esclarecer se houve uso indevido de recursos públicos e conflito de interesses na relação entre o presidente, o sistema financeiro e o Ueno Bank, alvo de intervenção das autoridades monetárias.
Crise do Ueno Bank e escândalo ‘Master paraguayo’
A intervenção no Ueno Bank, determinada pelo Banco Central do Paraguai por grave insuficiência de capital, desencadeou um escândalo financeiro bilionário que ficou conhecido como ‘Master paraguayo’. O rombo supera R$ 4 bilhões e atinge cerca de 3 milhões de clientes, aproximadamente 40% da população do país.
Com o fechamento da instituição e o bloqueio das contas, correntistas passaram a cobrar a liberação imediata de seus recursos para pagar despesas básicas, como aluguel, alimentação e estudos. A investigação preliminar indica que o crescimento acelerado do banco ocorreu por meio da concessão excessiva de crédito a empresas ligadas ao próprio grupo controlador.
Renúncia de Peña e disputa no Congresso
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Peña anunciou sua renúncia à Presidência nesta quinta-feira (5), afirmando que tomou a decisão para preservar a estabilidade do país e a confiança no sistema financeiro. Na mensagem, ele disse que a República deve estar acima de qualquer pessoa ou circunstância.
“Hoje, a minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias em nosso sistema financeiro. Nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, declarou o presidente.
Mesmo com a renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou o pedido de impeachment contra Peña, e o processo segue agora para análise do Senado. O impeachment apresentado contra o vice-presidente, Pedro Alliana, foi rejeitado pelos deputados, e ele deve assumir o comando do Executivo.
O desgaste político provocado pela crise levou também à renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvalho, e à prisão de oito executivos ligados ao Ueno Bank. A abertura do processo penal pelo Ministério Público aumenta a pressão institucional sobre o governo e sobre os responsáveis pelo escândalo financeiro.
65ª edição do JASC começa na próxima semana em Rio do Sul
Quatro modalidades ocorrerão neste fim de semana fora da sede
A 65ª edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina começa na próxima semana em Rio do Sul, no Vale do Itajaí. De 12 a 28 de novembro, mais de 8 mil atletas vindos de 134 municípios catarinenses se reunirão na cidade para participar da maior competição esportiva do estado.





