14 de abril de 2026
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ALERTA CLIMÁTICO: Super El Niño pode ser o mais intenso em 140 anos

Foto: Banco de imagens
Cenários climáticos indicam aquecimento extremo do Pacífico entre o fim de 2026 e início de 2027 e colocam o planeta em alerta para impactos globais severos

Modelos climáticos do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo (ECMWF) indicam a possível formação de um evento climático que pode ser o mais severo dos últimos 140 anos. Já chamado de “Super El Niño” pelos especialistas, o fenômeno deve provocar mudanças intensas na previsão do tempo global, o que deixa diversos setores em alerta. O aquecimento anômalo do Oceano Pacífico já é monitorado e é considerado como um dos principais sinais dessa possível mudança.

Caso o “Super El Niño” se concretize, os impactos devem ser amplos e desiguais entre diferentes regiões do planeta. A previsão indica possibilidade de secas severas em áreas como América Central, África, partes da Ásia e da Oceania, ao mesmo tempo em que regiões próximas à Linha do Equador, como Peru e Equador, podem enfrentar chuvas intensas e enchentes.

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No Brasil, o comportamento esperado é semelhante ao ocorrido em anos de ocorrência de El Niño mais intenso, com estiagem severa no Nordeste e aumento significativo de chuvas na Região Sul. Esse cenário preocupa autoridades locais devido ao risco de enchentes, deslizamentos e impactos na infraestrutura urbana e rural, especialmente em períodos de solo já saturado.

Eventos recentes de enchentes no Sul do Brasil têm sido frequentemente citados como exemplo do potencial destrutivo dessas anomalias climáticas, embora especialistas ressaltam que tais desastres resultam de múltiplos fatores combinados. Além das mudanças no regime de chuvas, há também previsão de intensificação de ondas de calor em diversas regiões do mundo, incluindo América do Sul, Sul dos Estados Unidos, Europa e Índia. No oceano, o padrão atmosférico tende a favorecer aumento da atividade de ciclones e tufões no Pacífico, enquanto o Atlântico pode registrar redução no número de furacões. Esse deslocamento de energia atmosférica é uma das características mais marcantes de eventos El Niño intensos.

Agricultura e segurança hídrica

As mudanças nos padrões de chuva provocadas por um El Niño forte podem ter impactos diretos sobre a produção agrícola global, afetando principalmente culturas sensíveis à variação de temperatura e umidade. Esses efeitos podem resultar em perdas de safra em diferentes regiões, com consequências econômicas relevantes.
Além disso, essas alterações tendem a se refletir nos preços dos alimentos e na inflação, especialmente em países mais vulneráveis a choques climáticos. A segurança hídrica também pode ser afetada, com aumento de períodos de escassez de água em algumas regiões e excesso em outras.

Clima global sob pressão

Eventos intensos de El Niño têm a capacidade de transferir grandes quantidades de calor do oceano para a atmosfera, elevando temporariamente a temperatura média global. Esse processo pode contribuir para a ocorrência de novos recordes de calor em escala planetária, especialmente quando combinado com o aumento contínuo de gases de efeito estufa.

Nesse contexto, o ano de 2027 aparece em alguns cenários como possível pico de aquecimento global, caso o fenômeno se confirme em sua forma mais intensa. Cientistas destacam que o sistema climático atual pode estar com menor capacidade de dissipar calor entre eventos consecutivos, o que favorece ciclos mais intensos e próximos entre si.

O que os modelos indicam

As projeções mais recentes do ECMWF apontam que o aquecimento do Pacífico pode ultrapassar +3°C em alguns cenários até o pico do fenômeno, o que caracterizaria um evento extremamente forte e comparável aos episódios históricos de 1982, 1997 e 2023. Esse tipo de intensidade é considerado raro e costuma estar associado a impactos climáticos globais mais severos e duradouros.

Por outro lado, outros centros de previsão climática, como o IRI, apresentam projeções mais moderadas, com anomalias médias em torno de +1,5°C, indicando um evento forte, mas não necessariamente extremo. Apesar dessa divergência entre modelos, há consenso entre meteorologistas de que o Oceano Pacífico já apresenta sinais consistentes de transição para uma fase de aquecimento ao longo de 2026.

Sinais no Oceano Pacífico

O monitoramento do Pacífico equatorial mostra que a região Niño 3.4, frequentemente utilizada para estudar o fenômeno, saiu de valores negativos e atingiu a neutralidade térmica, um dos primeiros sinais de mudança de fase climática. Esse comportamento é frequentemente interpretado como etapa inicial de formação de um El Niño, especialmente quando acompanhado por aquecimento contínuo das águas superficiais.

Além disso, uma extensa área de água quente subsuperficial localizada a cerca de 300 metros de profundidade tem chamado a atenção dos especialistas. Essa massa de calor avança lentamente em direção à superfície e pode funcionar como combustível para intensificar o fenômeno nos próximos meses. Outro fator importante identificado recentemente é a ocorrência de Estouros de Ventos de Oeste (WWB), que são rajadas intensas de vento soprando de Oeste para Leste no Oceano Pacífico.

Esses ventos têm papel fundamental na dinâmica do El Niño, pois empurram águas quentes em direção à América do Sul e dificultam a ascensão de águas frias profundas. Esse mecanismo pode acelerar significativamente a formação do fenômeno, antecipando seus efeitos para o final do outono e início do inverno em algumas regiões. Quanto mais frequentes e intensos esses episódios de vento, maior tende a ser a probabilidade de um El Niño forte ou até extremo se consolidar nos meses seguintes.

O que é um El Niño

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, geralmente quando a temperatura da superfície sobe pelo menos 0,5°C acima da média. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global, influenciando padrões de chuva, temperatura e ventos em diferentes continentes.

Em eventos moderados ou fortes, esse desvio pode ultrapassar 2°C, provocando mudanças significativas no clima global. Um dos episódios mais intensos já registrados ocorreu em 2015, quando a anomalia chegou a 2,8°C, gerando impactos climáticos em várias regiões do planeta e servindo como referência para estudos atuais sobre eventos extremos.

*Estagiário sob supervisão de Bernardo Ebert

           

             

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