Maradona transformou o ressentimento em símbolo ao marcar o gol com a “Mão de Deus” e o “gol do século” sobre os ingleses na Copa de 1986
Argentina e Inglaterra voltam a se enfrentar nesta quarta-feira (15) por uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026, em um dos confrontos mais carregados de significado da história do futebol. Muito além da disputa esportiva, o clássico reúne décadas de rivalidade alimentadas por episódios marcantes dentro e fora dos gramados, tendo como principal símbolo a Guerra das Malvinas, conflito travado entre os dois países em 1982.
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Embora o técnico argentino Lionel Scaloni tenha reforçado que o jogo deve ser tratado “apenas como uma partida de futebol”, o esquema de segurança montado para a semifinal revela que a carga histórica permanece viva. As autoridades proibiram a entrada de torcedores com bandeiras, faixas ou qualquer referência ao conflito das Malvinas, além de mensagens provocativas e objetos que possam gerar confrontos. A operação de segurança prevê acessos separados para as torcidas. Argentinos entrarão pelo portão 4 e ingleses pelo portão 3 do estádio, enquanto cerca de 1.600 agentes privados atuarão em conjunto com a polícia local para monitorar o público, já que os setores internos não serão divididos entre os torcedores.
A guerra que ultrapassou o campo
A origem da tensão entre os dois países remonta à Guerra das Malvinas. Em abril de 1982, a ditadura militar argentina iniciou a chamada Operação Rosário com o objetivo de retomar o controle do arquipélago, administrado pelo Reino Unido desde 1833. O conflito durou 74 dias e terminou com a vitória britânica, deixando um saldo de 649 militares argentinos e 258 britânicos mortos. Na memória argentina, episódios como o afundamento do cruzador General Belgrano, que provocou a morte de 323 marinheiros, permanecem como uma das maiores feridas da guerra e ajudam a manter viva a rivalidade com os ingleses.
Maradona transformou ressentimento em símbolo
Se a guerra marcou o confronto político, foi o futebol que deu à Argentina sua maior resposta simbólica. Na Copa do Mundo de 1986, Diego Maradona protagonizou uma das partidas mais emblemáticas da história ao marcar os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra nas quartas de final. Primeiro veio a polêmica “Mão de Deus”, seguida pelo chamado “Gol do Século”, quando o camisa 10 driblou praticamente toda a defesa inglesa antes de balançar as redes. Para muitos argentinos, aquela vitória representou uma espécie de compensação emocional pelo trauma vivido quatro anos antes nas Malvinas.
Uma rivalidade anterior ao conflito
Apesar da forte ligação com a guerra, a rivalidade entre argentinos e ingleses começou antes de 1982. Um dos episódios mais marcantes aconteceu na Copa do Mundo de 1966, quando o capitão argentino Antonio Rattín foi expulso nas quartas de final, em uma época em que ainda não existiam cartões amarelo e vermelho.
Inconformado, Rattín demorou a deixar o gramado, aumentando a tensão da partida. Após o jogo, o então técnico da Inglaterra, Alf Ramsey, classificou os argentinos como “animais”, declaração que aprofundou o sentimento de injustiça e alimentou a percepção de arrogância britânica entre os sul-americanos.
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