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9 de junho de 2026
TVBV ONLINE
Filipe Costeira

Brasil: a fé no “vai que dá”

Imagem: CBF/Divulgação

Olha, vamos falar a verdade aqui, de coração aberto e sem clubismo: assistir ao Brasil jogar uma Copa do Mundo hoje em dia é um teste para o cardíaco e um exercício de pura fé. A gente sabe da história, dos cinco títulos, dos craques que faziam a bola chorar de alegria. Mas, vamos ser sinceros, o cenário atual mudou. Pela primeira vez em muito tempo, a gente não entra na competição com aquela banca de “já ganhou” ou de bicho-papão do torneio. Se você perguntar para os analistas gringos ou olhar as casas de apostas, o Brasil não é o favorito. E quer saber? Tudo bem!

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O brasileiro tem uma relação com a Copa do Mundo que desafia qualquer lógica científica ou matemática. São mais de 200 milhões de pessoas que, de quatro em quatro anos, sofrem uma metamorfose coletiva. O sujeito que passa o ano inteiro cornetando o lateral do próprio time vira o maior especialista em tática internacional. A dona de casa que nem liga para futebol de repente sabe o histórico de cartões do juiz. É um evento que unifica o país no mesmo combo: churrasco, cerveja gelada, corneta afiada e aquela pontinha de esperança que a gente jura que não tem, mas tem sim.

Racionalmente, a gente olha para os adversários europeus e pensa: “Rapaz, a coisa tá feia”. A gente vê os nossos próprios desfalques, aquela zaga que às vezes bate cabeça e o meio-campo que dá um frio na barriga, e o cérebro avisa: “Modera essa expectativa aí, meu consagrado”. Mas quem disse que torcedor brasileiro tem cérebro na hora do jogo? A gente é movido a puro coração, superstição e desespero. Se o vizinho soltar um rojão antes da hora, a gente briga. Se o atacante errar um gol feito, a gente xinga até a terceira geração, mas dois minutos depois já está gritando “VAI QUE É TUA!” na próxima jogada.

Existe uma vantagem maravilhosa em não ser o favorito: o peso sai das costas. O Brasil adora o papel de quem come pelas beiradas para depois calar a boca do mundo. Deixa os gringos acharem que vão passear. Quando a bola rolar e aquele mar de camisas amarelas se espalhar pelos bares e salas do país, a energia muda. É o poder do “vai que dá”. O hexa pode ser improvável, difícil e quase um milagre tático, mas o brasileiro não trabalha com probabilidades. A gente trabalha com a fé de que, no fundo, a bola sempre sabe o caminho de casa. E a casa dela é o Brasil.

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