Doença é a causa de mais de 26% das síndromes respiratórias no Brasil, aponta Fiocruz
Um boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado nesta quinta-feira (16) sinaliza situação de alerta, de alto risco ou de risco para casos graves de síndromes gripais em 14 estados brasileiros, com tendência de aumento nas notificações ao longo das próximas semanas. Das doenças causadoras, o vírus sincicial respiratório (VSR) tem gerado preocupação por provocar infecções em vias respiratórias e pulmões de recém-nascidos e idosos.
Dados coletados até o dia 11 de abril mostram que, dos casos positivos registrados, a grande maioria (32,2%) foi causada pela Influenza A, seguidos pelo Rinovírus (33%). No entanto, o vírus sincicial respiratório aparece em terceiro lugar, sendo responsável por 26,3% dos casos de síndromes gripais.
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De acordo com o Ministério da Saúde, o VSR é um vírus comum que causa infecções em pessoas de todas as idades, com maior impacto em bebês, idosos e pessoas com condições de saúde que comprometem o sistema imunológico. No Brasil, ele circula de forma mais intensa em determinadas épocas do ano, podendo causar desde sintomas leves até quadros respiratórios graves que requerem atendimento hospitalar, como a síndrome respiratória aguda grave (SRAG).
“O VSR é altamente contagioso e infecta o trato respiratório. É uma das principais causas de bronquiolite viral aguda em crianças menores de 2 anos e pode ser responsável por um número expressivo de internações”, alertou a pasta.
No início da semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso da vacina Arexvy, produzida pela Glaxosmithkline Brasil Ltda, para adultos a partir dos 18 anos. O imunizante, disponível na rede privada, é indicado para prevenir a doença do trato respiratório inferior, causada pelo vírus. Na rede pública, a vacina é oferecida a gestantes a partir da 28ª senama.
Transmissão e sintomas
O vírus sincicial respiratório é transmitido sobretudo por meio de gotículas respiratórias e pelo contato direto com secreções de pessoa infectada – por exemplo, ao tocar superfícies ou objetos contaminados e depois tocar olhos, nariz ou boca. A transmissão do vírus pode ocorrer:
- quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou conversa;
- por contato próximo com pessoas infectadas;
- pelo toque em mãos ou superfícies contaminadas.
Já os sintomas causados pelo VSR geralmente se assemelham aos de um resfriado comum, mas podem evoluir para quadros respiratórios graves em grupos com maior risco, especialmente em crianças abaixo de 2 anos. Os sinais e sintomas mais comuns são:
- coriza (nariz escorrendo);
- tosse;
- espirros;
- febre;
- congestão nasal;
- chiado no peito.
Já os sinais e sintomas em casos mais graves incluem:
- respiração rápida ou com dificuldade;
- perda do apetite ou dificuldade para se alimentar;
- cianose (pele, lábios ou pontas dos dedos arroxeados ou azulados);
- alteração do estado mental (irritabilidade ou sonolência).
Grupos com maior risco
Alguns grupos, segundo o Ministério da Saúde, apresentam maior risco de desenvolver formas graves quando infectados pelo vírus sincicial respiratório. “Em bebês, o VSR pode causar bronquiolite viral aguda, caracterizada pela inflamação dos branquíolos, que são pequenas vias áreas dos pulmões”, destacou a pasta. Os grupos são:
- crianças menores de 2 anos, especialmente menores de 6 meses;
- bebês prematuros;
- crianças com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas;
- crianças com condições neurológicas, síndrome de Down ou com anomalias de vias aéreas;
- idosos;
- pessoas com condições que comprometem o sistema imunológico.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do vírus sincicial respiratório, na maioria dos casos, é baseado na avaliação da história clínica e dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente. Em alguns casos, como em pessoas hospitalizadas com quadros mais graves, podem ser realizados testes para identificação do vírus em amostras respiratórias por exame de biologia molecular (RT- PCR em tempo real).
O Ministério da Saúde reforça que não existe medicamento específico para o tratamento do VSR. O manejo clínico é de suporte e depende da gravidade do quadro. O tratamento pode incluir:
- hidratação adequada;
- controle da febre;
- lavagem nasal;
- internação hospitalar e uso de oxigênio suplementar em casos mais graves.

Prevenção
A pasta ressalta que algumas medidas simples ajudam a prevenir a infecção e a disseminação do vírus sincicial respiratório, incluindo:
- lavar as mãos com frequência com água e sabão;
- evitar contato próximo com pessoas gripadas ou resfriadas;
- limpar e desinfetar objetos e superfícies de uso comum;
- evitar aglomerações, especialmente para bebês e idosos;
- manter ambientes bem ventilados.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina contra o VSR para gestantes, com o objetivo de proteger o bebê nos primeiros meses de vida. Após a vacinação, a gestante produz anticorpos que são transferidos para o bebê por meio da placenta, conferindo proteção passiva ao recém-nascido. A estratégia, segundo o ministério, reduz o risco de formas graves da doença e de internações hospitalares por VSR nos primeiros seis meses de vida.
Imunização de bebês
Bebês, sobretudo prematuros e com comorbidades, podem receber ainda, pelo SUS, anticorpos prontos contra o vírus sincicial respiratório, chamados de anticorpos monoclonais, que ajudam a proteger contra formas graves da infecção.
O palivizumabe é aplicado em forma de injeção, uma vez por mês, durante a época do ano em que o vírus circula mais, seguindo critérios definidos pelo ministério. Atualmente, o palivizumabe está passando por processo de substituição por um novo medicamento, chamado nirsevimabe.
Já o nirsevimabe é um medicamento criado para proteger os bebês contra o VSR por um período mais longo, sendo necessária apenas uma dose para garantir proteção durante toda a época de maior circulação do vírus. A principal vantagem é que a proteção dura mais tempo, evitando a necessidade de várias aplicações.
“No SUS, o nirsevimabe será oferecido para bebês prematuros e crianças com algumas condições de saúde específicas, que têm maior risco de desenvolver formas graves da doença causada pelo VSR, nascidos a partir de fevereiro de 2026”, informou a pasta.
*Com informações de Agência Brasil.
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