O “Paciente de Oslo” é o caso mais recente de sucesso; técnica utiliza mutação genética rara para impedir que o vírus invada as células de defesa
A ciência deu um passo histórico no combate ao vírus da imunodeficiência humana. Pesquisadores anunciaram o caso do “Paciente de Oslo” , um homem de 63 anos que alcançou a remissão total do HIV após passar por um transplante de medula óssea. Ele se junta a um seletivo grupo de cerca de 10 pessoas no mundo que conseguiram eliminar o vírus após o procedimento.
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Diferente de casos anteriores, este paciente recebeu o transplante de um doador familiar — seu próprio irmão. O sucesso do tratamento reacende o debate sobre o futuro das terapias contra a Aids e as possibilidades da engenharia genética. O segredo para a remissão nesses casos reside em uma mutação genética rara chamada “CCR5Δ32”.
O HIV utiliza uma proteína chamada CCR5 como uma “porta de entrada” para infectar as células do sistema imunológico. Algumas pessoas possuem uma mutação que deleta essa proteína. Sem a “porta”, o vírus não consegue entrar na célula. No transplante, o sistema imunológico antigo do paciente (infectado) é substituído pelas células do doador resistente. Com o tempo, o reservatório viral desaparece.
Casos que marcaram a história
Até o momento, os nomes dos pacientes são mantidos em sigilo, sendo identificados pelas cidades onde realizaram o tratamento:
- Paciente de Berlim: O primeiro caso oficial de cura, em 2008.
- Paciente de Londres: Confirmado em 2019.
- Paciente de Genebra (2023): Um caso intrigante, onde o doador não tinha a mutação rara, mas o paciente ainda assim atingiu a remissão.
- Paciente de Oslo (2026): O primeiro caso documentado com doador familiar compatível.
Por que o transplante não é a cura para todos?
Apesar do otimismo, a comunidade médica faz um alerta: o transplante de medula não é indicado como tratamento padrão para o HIV. O procedimento é extremamente invasivo, apresenta alto risco de mortalidade e é indicado apenas para pacientes que já possuem doenças graves no sangue, como leucemia ou linfoma, e que não respondem à quimioterapia convencional. Além disso, encontrar doadores com a mutação genética específica é um desafio estatístico — menos de 1% da população mundial possui essa característica.
A importância desses pacientes vai além da cura individual. Eles servem como prova de conceito para que cientistas desenvolvam a terapia gênica. O objetivo é conseguir “editar” o DNA de qualquer paciente com HIV para remover a proteína CCR5, simulando o efeito do transplante de forma segura e em larga escala.
Atualmente, o tratamento com antirretrovirais oferecido pelo SUS no Brasil permite que pessoas que vivem com o vírus tenham uma vida longa, saudável e com carga viral indetectável — o que também torna o vírus intransmissível.
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