Passageiros começaram a desembarcar em Tenerife sob esquema de quarentena coordenado pela OMS e pelo governo espanhol
A Espanha iniciou neste domingo (10) a retirada dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus, ancorado próximo à ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias. Os primeiros a desembarcar foram cidadãos espanhóis, levados em pequenos barcos até o porto e transferidos sob isolamento para o aeroporto local, de onde seguirão para Madri em aeronave militar.
Segundo o governo espanhol, os passageiros serão encaminhados diretamente a hospitais para cumprir quarentena e não terão contato com a população local. Autoridades sanitárias afirmam que nenhum dos mais de 140 passageiros e tripulantes que permanecem a bordo apresenta sintomas da doença até o momento.
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O surto provocou uma operação internacional de emergência envolvendo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e governos europeus. Três pessoas morreram desde o início do surto —um casal holandês e um cidadão alemão—. Segundo a Associated Press, ao menos cinco passageiros que haviam deixado o navio anteriormente testaram positivo para o hantavírus. Já a Reuters informou que oito pessoas adoeceram após desembarcarem da embarcação, sendo seis casos confirmados e dois suspeitos.
O MV Hondius partiu do sul da Argentina em 1º de abril para uma expedição pela Antártida. O primeiro caso fatal ocorreu ainda em abril, mas inicialmente foi tratado como morte natural, segundo o The Guardian. O alerta sanitário só foi emitido em 2 de maio, após a confirmação laboratorial de hantavírus em um passageiro.
A embarcação chegou às Canárias após pedido da OMS e da União Europeia para que a Espanha coordenasse a retirada dos passageiros. O navio permanecerá fundeado e os ocupantes deixarão o local em grupos pequenos, transportados por embarcações auxiliares.
De acordo com o Ministério da Saúde da Espanha, todos os passageiros são considerados contatos de alto risco por precaução. A OMS recomendou quarentena de 42 dias para os ocupantes do cruzeiro, período máximo estimado de incubação da doença.
A ministra da Saúde espanhola, Mónica García, afirmou que a evacuação deve ser concluída entre domingo e segunda-feira. Após os espanhóis, passageiros da Holanda, Alemanha, Bélgica e Grécia deixarão o navio em um voo conjunto. Em seguida, serão repatriados cidadãos do Reino Unido, França, Irlanda, Turquia, Canadá e Estados Unidos.
A Austrália enviará a última aeronave da operação, prevista para chegar na segunda-feira (11), para retirar passageiros australianos, neozelandeses e de outros países asiáticos.
Segundo a agência Associated Press, americanos serão levados para quarentena em Nebraska. Passageiros britânicos ficarão sob observação hospitalar em Merseyside, enquanto franceses serão monitorados em hospitais antes de seguirem isolamento domiciliar.
As autoridades espanholas reforçaram que o risco para a população das Canárias permanece baixo. O hantavírus é normalmente transmitido pelo contato com resíduos de roedores infectados, especialmente fezes e urina secas inaladas pelo ser humano. No entanto, a variante Andes, identificada no surto do navio, pode apresentar transmissão entre pessoas em situações raras.
Em relatório divulgado neste domingo, o Ministério da Saúde da Espanha afirmou que especialistas não encontraram roedores a bordo do MV Hondius e que as condições sanitárias da embarcação eram adequadas. “A transmissão por exposição a roedores no navio não é provável”, informou o documento, segundo a Reuters.
Ainda assim, passageiros e tripulantes permaneceram confinados em cabines nos últimos dias para reduzir riscos de contágio. Quem desembarcar poderá levar apenas uma pequena bolsa com itens essenciais, documentos e celular. As bagagens ficarão no navio.
Parte da tripulação permanecerá a bordo para conduzir a embarcação até Roterdã, na Holanda, onde o navio passará por desinfecção. O corpo de um passageiro morto durante a viagem também seguirá no cruzeiro até o destino final.
Moradores de Tenerife demonstraram preocupação com a chegada da embarcação. “Não gosto nada disso. Por que trazer um navio assim para as Canárias?”, afirmou o aposentado Simón Vidal, de 69 anos, à AP.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, acompanha a operação em Tenerife ao lado de autoridades espanholas. Questionado sobre o risco de novos surtos internacionais com o retorno dos passageiros aos seus países, ele afirmou, segundo o jornal britânico The Guardian, que a avaliação da entidade descarta a possibilidade de uma nova pandemia relacionada ao episódio.
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