15 de abril de 2026
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Febre da proteína: caldo de ossos ganha força na nutrição funcional

Foto: Banco de imagens
Em palestra na Korin Bio, nutricionista questiona foco em suplementos e destaca alimento ancestral como aliado da saúde sistêmica

A defesa de uma nutrição baseada em alimentos integrais, e não em nutrientes isolados, foi o eixo central da palestra da nutricionista Lucyanna Kalluf durante evento realizado na Korin Bio, nesta terça-feira (14), em São Paulo. Ao abordar o tema “Da ciência à nutrição funcional: o impacto do caldo de ossos orgânicos na verdadeira saúde”, a especialista fez uma crítica direta à supervalorização das proteínas isoladas — como o whey protein — e destacou o papel de alimentos ancestrais na promoção da saúde sistêmica.

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Segundo Kalluf, o atual cenário alimentar é marcado por uma visão fragmentada da nutrição, em que o foco excessivo em macronutrientes, especialmente a proteína, desconsidera a qualidade biológica dos alimentos.

“Existe uma pergunta que precisa ser feita: qual é, de fato, a qualidade biológica daquilo que estamos ingerindo?”, provocou. Para ela, a indústria alimentícia impulsionou estratégias de rápida absorção e produtos altamente concentrados em proteína, associando-os diretamente ao ganho de massa muscular e à longevidade, mas sem considerar o impacto real no organismo.

A nutricionista argumentou que esse modelo contribui para o afastamento da chamada “comida de verdade”, substituída por suplementos e ultraprocessados. “Precisamos sair do foco do nutriente isolado e voltar ao conceito da matriz alimentar funcional”, afirmou, ao defender que o efeito dos alimentos depende da interação entre seus componentes e da resposta individual de cada organismo.

Caldo de ossos X whey protein

Foto: band.com.br

Um dos principais pontos da apresentação foi a comparação entre o caldo de ossos e o whey protein. Enquanto o whey é rico em leucina e associado ao estímulo anabólico, o caldo de ossos se destaca pela presença de aminoácidos como glicina, prolina e hidroxiprolina — fundamentais para processos anti-inflamatórios, saúde intestinal e manutenção estrutural do corpo.

“Não se trata apenas de construir massa muscular, mas de preparar o terreno biológico para que o organismo funcione de forma equilibrada”, explicou. De acordo com Kalluf, o caldo de ossos atua de forma integrada, auxiliando na modulação da microbiota intestinal, na redução da inflamação sistêmica e na melhora da absorção de nutrientes.

Ela também ressaltou que o alimento oferece micronutrientes importantes, como cálcio, magnésio, zinco e ferro, além de colágeno natural — componente cuja ingestão, segundo a especialista, é atualmente insuficiente na dieta da população.

Impactos na saúde e doenças crônicas

Durante a palestra, Kalluf relacionou o padrão alimentar moderno ao aumento de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e distúrbios autoimunes. Segundo ela, o consumo elevado de ultraprocessados compromete a saúde intestinal e pode desencadear uma cascata inflamatória com efeitos em todo o organismo, inclusive no sistema nervoso central.

“Quando essa barreira intestinal está comprometida, o impacto vai muito além da digestão. Estamos falando de ansiedade, depressão e doenças inflamatórias”, afirmou.

Nesse contexto, o caldo de ossos foi apresentado como uma alternativa funcional e ancestral, capaz de auxiliar na reparação da mucosa intestinal, reduzir a permeabilidade e fortalecer o sistema imunológico. “É um alimento que une tradição e ciência”, disse.

Função metabólica e saciedade

Outro destaque foi o potencial do caldo de ossos na regulação metabólica. A nutricionista explicou que a presença de glicina pode estimular mecanismos relacionados à saciedade e ao controle do apetite, além de contribuir para a melhora do sono e da recuperação do organismo.

“O alimento não atua apenas na composição corporal, mas em todo o sistema metabólico e hormonal”, afirmou. Ela também mencionou benefícios para saúde articular, pele e manutenção da massa magra, especialmente em contextos de envelhecimento.

Alimentação como base da saúde

Ao final, Kalluf reforçou que a qualidade do alimento começa na origem e está diretamente ligada à saúde humana. Ela destacou a importância de sistemas produtivos orgânicos, sem uso de antibióticos ou insumos químicos, e alinhados ao bem-estar animal.

“A verdadeira saúde não está apenas no prato, mas em toda a cadeia produtiva”, concluiu. Para a nutricionista, a retomada de hábitos alimentares mais naturais é essencial para enfrentar o avanço das doenças crônicas e promover uma saúde “verdadeira”, baseada no equilíbrio do organismo como um todo.

           

             

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