27 de maio de 2024
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Florianópolis: comerciantes do bairro Pantanal reclamam de baixa clientela e rua insegura

Em funcionamento há quatro dias, o novo sistema binário de trânsito tem causado controversas. Moradores e comerciantes da região demonstram preocupação econômica com a mudança, além de reclamações sobre a falta de segurança deixada pela obra recém inaugurada

Em processo de adaptação à nova dinâmica da Rua Deputado Antônio Edu Vieira, comerciantes do bairro Pantanal, em Florianópolis, mostram-se preocupados com o movimento de clientes e com a falta de segurança para pedestres após a implantação do sistema binário na região. Com a mudança de direção desde o dia 21 de abril, a rua deixou de ter sentido duplo e agora segue em mão única.

Na noite da última segunda-feira, moradores do bairro realizaram ato de protesto, pedindo por mais segurança e sinalização na rua. Uma das principais reivindicações foi sobre a instalação de placas de velocidade e de indicação das faixas de pedestre. Muitas reclamações surgiram a respeito do tempo de espera para atravessar a rua, mesmo em cima das faixas, pois, sem sinalização, os carros não têm parado.

Uma nova manifestação de moradores prevê paralisar a rua nos próximos dias, em frente à escola municipal Beatriz de Souza Brito, com a presença das famílias dos alunos. Questionada pela nossa reportagem, a Prefeitura de Florianópolis não respondeu porque a Edu Vieira foi inaugurada sem a sinalização adequada. A assessoria do município indicou que “duas faixas de pedestre com elevação serão implantadas na rua”, mas não soube informar em que locais e quando.

Comércio

Nos primeiros dias, o impacto financeiro já pôde ser sentido; é o que afirma Marlise Pozzer, da Padaria Pantanal. De acordo com ela, o movimento de clientes caiu mais da metade desde a sexta-feira (21). “Eles pensaram só em fazer fluir o trânsito. No comércio e na população eles não pensaram nem um pouco. Quem não quebrou na pandemia, quebra agora. Se um carro freia para poder entrar aqui, o de trás já começa a buzinar. Eles acham que não pode, que é só passagem”, descreve Marlise.

Da mesma forma, Erisandra, Marilda e Rafaely, do salão Still Centro de Beleza, manifestam preocupação com o movimento, pois alguns clientes têm reclamado, principalmente os que trabalham na Eletrosul. A empresa agora fica mais à frente, na contramão do novo sentido da rua, obrigando os motoristas a dar a volta pelo bairro Carvoeira e passar pelo bairro Saco dos Limões até retornar ao Pantanal pela Edu Vieira. Outra questão levantada por elas é a insegurança para transitar a pé nas calçadas. “Parece uma BR”, diz Rafaely.

Segurança

Líder comunitário do bairro, Paulo Vitor é uma das pessoas que estão à frente da mobilização dos moradores. Ele destaca a preocupação com a passagem de pedestres, sobretudo com as crianças da escola, e com idosos, na região do Centro de Saúde do Pantanal. “A via ficou muito rápida e perigosa para atravessar, os carros não param, o motoqueiro passa pela ciclovia. Queremos uma faixa, um semáforo. As mães vão trabalhar com a cabeça preocupada de ter um acidente com as crianças”, reclama.

Para Camila Porciúncula, diretora da escola municipal Beatriz de Souza Brito, a nova dinâmica da rua oferece mais perigo aos estudantes do bairro. “A gente sabe que está em fase de adaptação, mas se não tem um controle externo, as pessoas acham que é uma via expressa, uma pista de corrida. Tivemos uma reunião de pais e foram levantadas as questões do semáforo ou da lombada eletrônica e mais sinalização em relação à escola, para que as pessoas tenham essa consciência”.

Na visão de Paulo Vitor, faltou diálogo da prefeitura com os moradores do bairro. “Fiz uma audiência com 300 pessoas no [Clube Recreativo] Coríntians. O reitor da UFSC [Universidade Federal de Santa Catarina] compareceu, mas o promotor e a prefeitura não compareceram. O secretario [Rafael Hahne, de Transportes e Infraestrutura do município] nos desafiou, pensou que as pessoas iam ficar quietas. Na segunda (24), fizemos um ato pacífico. Até o guarda municipal elogiou, disse ‘vocês estão certos, isso aqui ficou muito rápido’. Não sou contra o binário, mas tem que ter sinalização”.

Mobilidade

Por outro lado, há comerciantes que se mostram esperançosos para que a clientela aumente. Marina Sbrana, do Açougue Do Bairro, relata que alguns de seus clientes haviam parado de frequentar o estabelecimento durante as obras da rua, mas voltaram agora com a inauguração do sistema binário. Ela mesma é uma das beneficiadas. Moradora do bairro Agronômica, Marina conta que antes chegava a levar 50 minutos de casa até o trabalho e agora esse tempo diminuiu: “aumentou 2 quilômetros, mas eu vim em 20 minutos”.

A Prefeitura mostrou como foi o primeiro dia de movimento das vias por onde passa o novo sistema. Segundo a Administração Municipal, com grande fluxo de veículos característico dos dias úteis, dados do Google Trânsito (da plataforma Maps) mostraram otimização de tempo nos trajetos que atravessam a região, passando pelo binário.

De acordo com a plataforma, diversos pontos onde tipicamente eram marcados como vermelho ou laranja para os horários de pico da manhã de uma segunda-feira, atualmente estão verdes, o que significa excelente fluidez no trânsito. A comparação dos tempos de trajeto anteriores à implementação — calculados pela PMF —  com os novos tempos praticados durante a manhã de segunda-feira (24) também mostrou diminuição de tempo.

“O trajeto foi acompanhado durante toda a manhã por equipes da Secretaria de Transportes e Infraestrutura, além da Guarda Municipal, posicionada nos principais pontos do binário para orientar motoristas até a familiarização com as mudanças”, declara a Prefeitura.

Confira os resultados mostrados pela Prefeitura:

 

Fotos: TVBV e PMF/Reprodução

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