Conforme escrito nesta coluna na noite da última terça-feira (30), o Conselho Deliberativo do Avaí aprovou, por 112 votos a favor e 54 contra, a proposta de compra da SAF por parte da Kactus Investimentos. Isso dá início a um processo que pode, ou não, salvar o clube dos problemas financeiros em que está afundado.
Kactus é a solução do problema?
Muitos me perguntam se a venda da SAF do clube é a salvação do Avaí. Eu não tenho uma resposta. Não sou especialista em SAFs e não sou um cartola do futebol para medir o que, de fato, é mais saudável para um clube do porte do Avaí. Mas, como sempre friso nesta coluna, sou pago para dar minha opinião e analisar o ambiente para que, de forma fria, traga uma reflexão relevante para quem aqui deixa seu tempo lendo meus “dois centavos”.
Já falei sobre isso outras vezes e repito: o Avaí, do jeito que está, caminha a passos largos para a Série C. Sendo um clube insolvente e caro por sua própria grandeza, com pouco dinheiro o time não se sustenta mais. Houve erros, houve gastos excessivos e muitos outros problemas que, historicamente, levaram o Leão da Ilha a este buraco em que se encontra. Analisando os times do porte do Avaí, e como equipes até de menor expressão avançam em estrutura e competitividade, percebe-se que o Avaí ficou para trás. Também já falei aqui que, por incompetência de gestões passadas e por falta de dinheiro, o Avaí hoje tem a terceira pior folha da Série B, e isso já se reflete dentro de campo, com o time na zona de rebaixamento.
Um investidor, neste momento, é a tábua de salvação do clube, que passa, a partir de agora, a olhar para outros horizontes e possibilidades dentro de um cenário mais justo de competitividade e de realidade financeira frente a outros clubes.
A Kactus é confiável?
O que venho dizendo é que este contrato com a Kactus foi feito a muitas mãos experientes, e que as amarrações necessárias estão ali, tendo sido explanadas e detalhadas na reunião do conselho de ontem. E, embora alguns “blogueiros” insistam em dizer que tudo está sendo feito de sopetão e de forma açodada, a informação não procede. O contrato ficou disponível por uma semana na Ressacada para análise e ainda pôde ser discutido ontem, em uma reunião com sala lotada. Embora tenha havido muitas divergências durante este período, a SAF foi discutida à exaustão nos últimos dois ou três anos, e investidores apareceram, como Mike Melby e a Kactus. A hora era de agir. Repito: não tenho como dizer que vai dar certo, mas é a solução do momento.
Aos mais saudosos e apaixonados
O futebol mudou, inflacionou, e o Avaí ficou para trás. Negociar o futebol do clube não significa vender a identidade de sua torcida, sua história e suas glórias. Buscar um parceiro significa se adequar a um mercado que não aceita mais amadorismo, soluções paliativas ou bagunça administrativa, e o Avaí busca essa mudança de forma democrática. Não estou aqui vendendo a ilusão de que tudo vai se resolver do dia para a noite, mas entendo que passos rumo a um jeito mais sério de se governar o time podem ser dados.
Assembleia de sócios
A palavra final ainda não foi dada. A votação desta terça-feira foi um degrau importante, mas intermediário, pois a proposta pode ser aprovada de fato na semana que vem, em uma assembleia de sócios que definirá, de forma democrática e no voto, se o Avaí venderá sua SAF à Kactus.
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