Amanda Maria Souza de Oliveira passou 14 meses como ‘filha adotiva’ de família em Joinville
A mulher de 38 anos que fingiu ser uma criança de 12 para enganar uma família em Joinville, no Litoral Norte de Santa Catarina foi condenada nesta quinta-feira (20) pelos crimes de falsa identidade e estelionato. O julgamento do caso teve início nesta quarta (19), com a oitiva da acusada e de testemunhas, além das manifestações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e dos advogados de defesa.
Amanda Maria Souza de Oliveira recebeu a pena de um ano, seis meses e 10 dias de reclusão, e de quatro meses e 18 dias de detenção. A duas penas serão cumpridas em regime inicial semiaberto. O juiz Rogerio Manke, da 1ª Vara Criminal de Joinville, negou o pedido dos advogados e manteve a prisão preventiva, condição em que a mulher está desde o dia 2 de junho. Eles ainda podem recorrer da decisão.
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O magistrado considerou que Amanda criou uma identidade fictícia e, durante cerca de 14 meses de convivência na casa da família em Joinville, no distrito de Pirabeiraba, foi tratada como filha e recebeu moradia, alimentação, medicamentos e outros cuidados. Os advogados Sarita Henrique de Paiva e Lúcio Sousa afirmaram que irão recorrer da decisão.
A defesa expressa sua discordância em relação à decisão e manifesta que adotará de imediato todas as medidas legais e recursos cabíveis junto às instâncias superiores, visando reformar o julgado e provar a inocência de Amanda Maria Souza de Oliveira em grau recursal.
Durante a audiência de instrução do julgamento nesta quinta-feira, foram ouvidos casal que acolheu a mulher na própria casa, no distrito de Pirabeiraba; os filhos do casal e um policial civil, como testemunhas de acusação; um psiquiatra e uma psicóloga convocados pela defesa. Amanda foi a última a prestar depoimento. Após as audiências, o MPSC, autor da denúncia criminal, fez as alegações do caso e pediu a condenação da acusada. Já os advogados defenderam a absolvição integral e a soltura da ré.
Relembre o caso
Amanda Maria Souza de Oliveira foi presa em 2 de junho na casa da família por quem foi “adotada” em fevereiro de 2025. De acordo com a investigação realizada pela Polícia Civil (PCSC), a mulher utilizava o nome falso de “Gabriele” e simulava ser uma criança de 12 anos com autismo. Para justificar a aparência física adulta, ela também alegava outras condições clínicas e histórico de abusos, argumentando que seus traços eram decorrentes da utilização forçada de hormônios durante a infância.

Durante cerca de 14 meses, Amanda simulou comportamentos que incluíam atitudes infantilizadas, como uso de mamadeira, chupeta e um cobertor de “ninar”. Ela se aproximou da família que a “adotou” por intermédio de um pastor de uma igreja local. A suspeita sensibilizou a família a acolhê-la relatando graves problemas de saúde e extrema dificuldade financeira. A família em Joinville só procurou a polícia após parentes tomarem conhecimentos de um golpe muito semelhante contra vítimas no Rio de Janeiro.
A investigação apontou Amanda como uma uma “golpista contumaz”, que aplicou o mesmo modo de agir em diferentes regiões do país, incluindo ainda Rio Grande do Sul e São Paulo. A suspeita se aproximava de instituições religiosas ou famílias, sempre explorando narrativas de vulnerabilidade para conquistar confiança e obter vantagens materiais, como moradia, alimentação, transporte e medicamentos.
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