Mulher de 43 anos foi resgatada em condições degradantes no Vale do Itajaí
Um morador de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, passou a integrar a chamada “lista suja” do trabalho análogo à escravidão do Governo, atualizada na última terça-feira (6). O caso veio à tona em maio deste ano, quando a filha do homem foi resgatada após passar mais de 40 anos prestando serviços domésticos em condições degradantes.
O resgate foi realizado no dia 12 de maio por fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego. Uma investigação revelou que a mulher de 43 anos, que apresentava sinais de neurodivergência, era submetida pelos próprios familiares a trabalhos forçados desde a infância, sem remuneração, em jornadas exaustivas, com privação de comida e sem permissão de deixar o local.
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Além de ser incluído no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, o homem passa a enfrentar uma série de restrições. Ele também responde na Justiça pelos crimes de cárcere privado qualificado e maus-tratos contra a filha. Após o resgate, a mulher foi retirada do imóvel e encaminhada para atendimento psicossocial.
Debilidade cognitiva e isolamento social
As investigações tiveram início a partir de denúncias anônimas encaminhadas aos órgãos de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego. Durante a fiscalização, os agentes constataram que a vítima vivia há décadas em situação de extrema vulnerabilidade, com indícios de possível debilidade cognitiva e forte isolamento social.
Segundo a SIT, durante a abordagem, a mulher apresentou medo de deixar a casa e os familiares. Após ser retirada do local, a mulher relatou aos auditores-fiscais que realizava atividades domésticas de forma contínua desde a infância, sem qualquer tipo de remuneração ou direitos trabalhistas. Moradores da região também relataram que ela raramente era vista fora de casa, o que reforça os indícios de isolamento prolongado ao longo dos anos.
Durante a operação de resgate, familiares da vítima tentaram impedir a entrada das equipes na propriedade e dificultar o contato com a mulher. Mesmo com apoio da Polícia Federal, houve registros de ameaças contra os agentes durante a abordagem.
Durante a fiscalização, os agentes encontraram ainda uma serraria em funcionamento na mesma propriedade, operando de forma irregular. No local, havia trabalhadores sem registro formal e expostos a condições de risco. Segundo os fiscais, máquinas operavam sem proteção adequada, com partes cortantes expostas e ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs). Pelo menos cinco trabalhadores atuavam de forma informal, sem acesso a direitos trabalhistas básicos.
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