1 de maio de 2026
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Cultura

Pesca da tainha atravessa gerações e segue como símbolo cultural de Florianópolis

Foto: Acervo Público
Tradição que chegou antes da colonização açoriana molda a gastronomia, a economia e a identidade da Capital catarinense

A pesca da tainha, uma das tradições mais conhecidas de Florianópolis, existe há milhares de anos e é anterior à chegada dos imigrantes açorianos. Povos originários da Ilha de Santa Catarina já exploravam a abundância do peixe durante seu ciclo migratório, que vai do sul do Brasil ao litoral paulista. Ao longo do tempo, a tainha se consolidou na alimentação dos moradores e tornou-se um dos principais símbolos da culinária local, com forte influência da cultura açoriana tanto nas técnicas de conservação quanto na elaboração de pratos típicos.

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Segundo o historiador Rodrigo Rosa, os sambaquianos, primeiros habitantes da região, já realizavam a captura do peixe em larga escala nas praias. Em seguida, aproximadamente entre 1.400 e 1.500 anos atrás, povos como os itararés, também registraram a atividade, seguidos pelos guaranis. Foi a partir do contato com esses grupos que os europeus aprenderam métodos tradicionais de pesca, como a “pesca de susto”, uma técnica que consiste em bater na água para direcionar os peixes às embarcações.

Com a chegada dos açorianos, a atividade passou por um processo de aprimoramento. Foram introduzidas embarcações maiores e redes mais resistentes, até que, com o passar do tempo, a prática se estruturou de forma mais organizada, envolvendo olheiros, equipes de apoio e ranchos instalados nas praias durante a temporada.

Apesar das transformações ao longo dos séculos, a coletividade permanece como uma característica central da pesca da tainha. Presente desde os povos originários até os dias atuais, a atividade segue baseada no trabalho conjunto e na organização comunitária, mantendo seu papel para além da economia, como um importante elemento da identidade cultural da capital catarinense.

Influência da Tainha na gastronomia regional

Na gastronomia, a tainha ocupa posição de destaque e integra a identidade alimentar da região. A forma como o peixe pode ser preparado de várias maneiras e sua presença frequente ao longo da história ajudaram a torná-lo um dos principais símbolos da culinária local. “Ela sempre esteve presente em diversas preparações, como pirão, assada ou ensopada, sendo parte da cultura da região”, afirma o historiador Rodrigo Rosa.

Ao longo da história, a pesca da tainha também foi importante para a economia de Florianópolis. O Mercado Público, inaugurado em 1850 funcionou por décadas como ponto de encontro entre pescadores e produtores rurais, que comercializam peixes, alimentos e outros produtos, fortalecendo a economia da cidade.

Mesmo diante das mudanças ao longo do tempo, a tainha segue como um elemento marcante da cultura e da história de Florianópolis, estabelecendo uma conexão entre passado e presente por meio da gastronomia e das tradições mantidas pelas comunidades locais.

Modernização e a tradição da tainha

O aumento da pressão sobre os estoques e a redução na quantidade de peixes têm gerado preocupação entre as comunidades pesqueiras. Ao mesmo tempo, as manifestações culturais associadas à tainha também sofreram alterações. As festas da tainha, que surgiram nesse período, passaram a apresentar um perfil mais voltado ao turismo e à comercialização do pescado. O avanço urbano também impactou diretamente a dinâmica da pesca tradicional. Regiões como a Lagoa da Conceição e o Norte da ilha registraram intenso crescimento nas últimas décadas, afetando áreas de pesca e de coleta.

Mesmo assim, alguns ranchos de pesca tradicionais continuam de pé em diferentes áreas, muitas vezes porque já existiam antes da chegada da urbanização. Em lugares como o Costão do Santinho, foram feitos acordos para que essas estruturas históricas permanecessem no local.

Apesar dos desafios que chegaram junto com modernização, a pesca da tainha continua presente em diversas comunidades, como Pântano do Sul, Armação, Ingleses, Barra da Lagoa e Santo Antônio de Lisboa.

Em Florianópolis, a tradição se mantém viva por meio da transmissão de conhecimentos entre gerações e segue como um dos principais elementos culturais da cidade.

Confira mais detalhes na reportagem do SC Acontece

           

             

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