17 de junho de 2026
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Rã-touro invade Florianópolis e mobiliza força-tarefa ambiental para conter avanço da espécie

Imagem: Bullfrog Association.

A espécie exótica invasora muge como vacas e um fator que preocupa as autoridades é o potencial de transmissão de doenças

A presença da rã-touro em Florianópolis acendeu um alerta entre autoridades ambientais e pesquisadores. Considerada uma das espécies invasoras mais preocupantes para a biodiversidade local, a rã originária da América do Norte já motivou uma operação conjunta coordenada pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) para impedir disseminação pela capital catarinense.

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O primeiro registro oficial do anfíbio foi feito no bairro Ratones e desde então, equipes da Floram, com apoio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vêm realizando monitoramentos e capturas na região. Até o momento, 11 exemplares foram recolhidos durante as ações de campo.

Introduzida no Brasil na década de 1930 para fins comerciais na ranicultura, a rã-touro acabou escapando de criadouros e se espalhando por diferentes regiões do país. O problema é que a espécie apresenta elevada capacidade de adaptação, reprodução acelerada e hábitos alimentares agressivos, o que a transforma em uma ameaça para a fauna nativa. Segundo especialistas, o anfíbio compete diretamente com espécies locais por alimento e território. Além de consumir insetos, peixes e outros anfíbios, a rã-touro também interfere no comportamento de animais nativos por meio de seu canto característico, semelhante ao mugido de um boi, que pode alterar a dinâmica dos ecossistemas onde se estabelece.

Imagem: Divulgação/UFSC.

Outro fator que preocupa as autoridades é o potencial de transmissão de doenças. A espécie é reconhecida como hospedeira de agentes patogênicos que afetam anfíbios nativos, entre eles o ranavírus e o fungo causador da quitridiomicose, enfermidade associada ao declínio de populações de anfíbios em diversas partes do mundo. Os exemplares capturados em Ratones foram encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC, onde passam por análises para verificar a presença desses organismos.

Apesar dos impactos ambientais, a rã-touro também possui relevância para a pesquisa científica. Devido à a sensibilidade a alterações ambientais, a espécie é utilizada como bioindicadora em estudos que avaliam a qualidade da água, do solo e os efeitos de substâncias químicas, como agrotóxicos e metais pesados, em ecossistemas naturais. Diante do avanço da espécie, a Floram orienta a população a não tentar capturar os animais por conta própria. A recomendação é que moradores que avistem a rã-touro ou identifiquem seu som característico entrem em contato com os órgãos ambientais, permitindo que equipes especializadas realizem o manejo adequado e seguro.

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