28 de agosto de 2026
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Rei Harald V da Noruega morre aos 89 anos após 35 anos no trono

Morte encerra um reinado marcado por modernização, crises familiares e problemas de saúde nos últimos anos

O rei Harald V da Noruega morreu nesta sexta-feira (28), aos 89 anos, encerrando um reinado de 35 anos marcado pela modernização da monarquia e pela busca de proximidade com a população. O Palácio Real informou que o monarca morreu em paz às 6h35, no Hospital Universitário de Oslo, onde estava internado desde 17 de agosto. Harald era, até sua morte, o monarca reinante mais velho da Europa.

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A saúde do rei havia se deteriorado nos últimos dias. Na quinta-feira (27), o Palácio informou que ele estava em condição “extremamente grave”, levando a rainha Sonja e o príncipe herdeiro Haakon, que exercia a função de regente durante a internação do pai, a cancelarem compromissos oficiais. Harald enfrentava problemas de saúde recorrentes nos últimos anos e havia recebido um marca-passo em 2024. Ele estava sendo tratado por anemia hemolítica e também havia recebido tratamento para uma infecção bacteriana.

Nascido em 1937, Harald viveu parte da infância longe da Noruega durante a Segunda Guerra Mundial. Após a invasão nazista do país, em 1940, foi levado inicialmente para a Suécia e depois para os Estados Unidos, onde permaneceu com a mãe, a princesa Märtha. O pai, o então príncipe Olav, ficou em Londres durante o conflito. A experiência da guerra ajudaria a formar a trajetória de um monarca que, décadas mais tarde, se tornaria uma das figuras centrais da identidade nacional norueguesa.

Harald chegou ao trono em 1991, após a morte do pai, o rei Olav V. Embora a monarquia norueguesa tenha funções essencialmente simbólicas, o rei construiu uma imagem de proximidade e ganhou popularidade ao longo das décadas. Esportista apaixonado, participou de competições de vela e representou a Noruega em três edições dos Jogos Olímpicos. Também rompeu tradições da realeza ao se casar com Sonja Haraldsen, uma plebeia, em 1968.

Seu reinado coincidiu com um período de grande prosperidade econômica na Noruega, impulsionado principalmente pela exploração de petróleo e gás. Harald também se destacou por posicionamentos considerados progressistas para um monarca. Em um discurso de 2016, defendeu uma Noruega plural, aberta a diferentes origens, religiões e orientações sexuais, reforçando a imagem de uma Coroa alinhada aos valores contemporâneos da sociedade.

Um dos momentos mais marcantes de seu reinado ocorreu após os ataques terroristas de 2011, quando o extremista de extrema direita Anders Behring Breivik matou 77 pessoas. Em meio ao luto nacional, Harald assumiu um papel de consolo e unidade, tornando-se uma referência emocional para os noruegueses. Também ficou conhecido por visitar comunidades atingidas por enchentes e outros desastres, muitas vezes deixando de lado a formalidade esperada de um monarca.

O fim de seu reinado, porém, foi acompanhado por turbulências dentro da própria família real. A princesa herdeira Mette-Marit, mulher de Haakon, passou a ser alvo de críticas após documentos divulgados nos Estados Unidos revelarem sua troca de mensagens com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Ela posteriormente pediu desculpas pela relação. O filho dela, Marius Borg Høiby, também enfrentou um processo criminal e foi condenado a quatro anos de prisão em junho, sentença da qual recorre.

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