América Latina concentra regiões suscetíveis a eventos sísmicos
O potente terremoto de magnitude 7,4 graus na escala Richter que atingiu a Colômbia na última segunda-feira (10) já deixa 224 mortos e mais de 500 feridos. É o maior tremor registrado no país na última década, com epicentro no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, e a 107 km de profundidade.
No país vizinho Venezuela, dois tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 no dia 24 de junho já deixam um saldo de mais de 6,3 mil mortos. Os terremotos impressionam pela intensidade e o rastro de destruição deixado na América Latina. Apesar de não estarem relacionados, esses eventos sísmicos compartilham algo em comum: a proximidade com o chamado Cinturão de Fogo do Pacífico, que coloca o continente em uma linha suscetível a eventos similares.
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A diferença é que a Venezuela está relacionada principalmente ao limite da placa do Caribe com a sul-Americana. A Colômbia, por sua vez, está localizada em uma área de encontro de três placas tectônicas: Sul-Americana, de Nazca e do Caribe. O terremoto ocorreu porque a placa de Nazca, localizada no Oceano Pacífico, mergulha sob a placa Sul-Americana em direção ao leste, onde fica a Colômbia, em um fenômeno geológico conhecido como subducção.
O Cinturão de Fogo é uma linha de falhas tectônicas que abrange 40 mil quilômetros de extensão ao redor do Oceano Pacífico e também concentra a maior quantidade de vulcões do mundo. Nas Américas, ele passa por países como Argentina, Bolívia, Canadá, Colômbia, Chile, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua e Panamá.
Em seguida, ele se curva na altura das Ilhas Aleutas, no norte do Oceano Pacífico, entre o Alasca e a península de Kamchatka, e depois desce pelo litoral e ilhas da Rússia, Japão, Taiwan, Filipinas, Indonésia, Malásia, Timor-Leste, Brunei, Singapura, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tonga, Samoa, Tuvalu e Nova Zelândia.
Nas últimas semanas, o Cinturão de Fogo já havia dado várias demonstrações de atividade. Dois terremotos de magnitude 6,3 fizeram a terra tremer em 5 de agosto nas Filipinas e nas ilhas Kermadec, no Pacífico. Eles se somaram a um terremoto registrado na costa do México em 17 de julho e a outro, de magnitude 6,8, que atingiu a região japonesa de Kumamoto em 28 de julho.
Essa linha de encontro de placas tectônicas concentra 90% de todos os sismos do mundo e 80% dos terremotos de maior magnitude. O movimento e a colisão das camadas da crosta terrestre dão origem aos terremotos, que têm ainda maior intensidade nessas regiões do Pacífico justamente pela tensão acumulada pelo atrito entre diversas placas. Esses movimentos podem também gerar atividade vulcânica.
Eventos não estão diretamente relacionados
Segundo o Serviço Geológico Colombiano, os terremotos na Colômbia e na Venezuela ocorreram em sistemas de placas diferentes. Enquanto os tremores mais recentes envolveram a subducção da placa de Nazca sob a Sul-Americana, na Venezuela, os terremotos na Venezuela envolveram as placas Caribenha e Sul-Americana, que apresentam deslocamento lateral.
As diferenças entre os movimentos das placas explicam por que os eventos não estão relacionados. A Colômbia registra, em média, cerca de 2,5 mil sismos por mês, embora a maioria não seja percebida pela população. Após o tremor inicial, o Serviço Geológico Colombiano registrou pelo menos 47 réplicas, sendo a mais forte de magnitude 4,8.
O Brasil, por sua vez, tem todo o território sobre a placa Sul-Americana, na porção mais estável do interior da placa. Por isso, os terremotos no território brasileiro costumam ser menos frequentes e intensos do que aqueles registrados nas áreas de contato entre placas.
*Com informações de Band.com.br
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