Colisão entre dois trens deixou 108 ferido; ministro dos Transportes aponta erro no controle do tráfego, enquanto autoridades investigam as causas do desastre
A Espanha iniciou nesta quinta-feira (29) três dias de luto oficial após uma colisão entre dois trens deixar pelo menos 68 mortos e 108 feridos, cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri. O acidente ocorreu na manhã de quarta-feira (28), quando uma composição da estatal Renfe, que seguia da capital espanhola para Sevilha, atingiu a traseira de um trem da companhia privada Iryo, que estava parado na linha. Enquanto equipes de emergência continuam as buscas entre os vagões destruídos, o governo enfrenta cobranças por explicações sobre uma falha no controle do tráfego ferroviário, classificada como “inadmissível” pelo ministro dos Transportes, Óscar Puente.
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Falha no controle ferroviário está sob investigação
Segundo informações divulgadas pelo ministro, o sistema de sinalização apresentou uma falha informática por volta das 8h30, provocando a parada automática de seis trens que circulavam na região, incluindo as duas composições envolvidas no acidente. Poucos minutos depois, o centro de controle autorizou a retomada da circulação do trem da Renfe. Puente classificou a decisão como “errada” e “inexplicável”, afirmando que os responsáveis pelo controle tiveram tempo para identificar e corrigir o problema.
De acordo com o ministro, o trem da Renfe percorreu cerca de 25 quilômetros em aproximadamente 15 minutos antes de atingir a composição da Iryo, que permanecia parada nos trilhos. A velocidade no momento do impacto ainda não havia sido determinada. As circunstâncias da colisão continuam sendo investigadas pelas autoridades espanholas. Até o momento, as informações divulgadas sobre a falha no sistema de sinalização não estabelecem, por si só, todas as causas do desastre.
Equipes procuram vítimas entre os destroços
Os trabalhos de resgate continuaram durante a noite e a manhã desta quinta-feira, com equipes vasculhando os vagões mais atingidos e utilizando guindastes para remover estruturas metálicas retorcidas. Além das 68 mortes confirmadas, o acidente deixou 108 feridos, dos quais 58 precisaram ser hospitalizados, conforme os números divulgados pelas autoridades. O presidente da região de Castela-Mancha, Emiliano García-Page, afirmou que ainda havia incerteza sobre a possibilidade de encontrar outras vítimas durante a retirada dos vagões.
A tragédia também mobilizou equipes de assistência a familiares. Em Urda, no centro-sul do país, parte de uma escola foi adaptada para receber pessoas em busca de informações sobre parentes que estavam nos trens. A Guarda Civil instalou postos de atendimento em Madri, Toledo, Córdoba e Sevilha para coletar amostras de DNA e auxiliar na identificação das vítimas. Também foram organizados pontos de coleta de sangue nas regiões de Castela-Mancha e Madri.
Tragédia aumenta pressão sobre o governo espanhol
O acidente reacendeu o debate sobre a segurança da malha ferroviária da Espanha. Considerado o mais grave do país desde 2013, o desastre ocorreu menos de um ano após outra colisão entre trens de alta velocidade em Adamuz, na Andaluzia, que deixou 46 mortos, segundo as informações citadas no balanço da tragédia.
O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez voltou a ser alvo de questionamentos sobre a gestão da rede ferroviária. A situação aumenta a pressão política em um momento de tensão, a cerca de um mês das eleições legislativas antecipadas previstas para 29 de novembro. Sánchez esteve no local do acidente na quarta-feira e prometeu apurar as responsabilidades. “Vamos chegar até o fim. E, se houve negligência, a verdade virá à tona”, afirmou.
A investigação deverá esclarecer por que a circulação do trem da Renfe foi autorizada após a falha de sinalização, além de determinar as circunstâncias exatas da colisão e eventuais responsabilidades.
Colisão entre trens de alta velocidade deixa ao menos 68 mortos na Espanha
Acidente aconteceu na ferrovia que liga Madri a Sevilha; dois vagões chegaram a sair dos trilhos
Uma colisão entre dois trens de passageiros deixou ao menos 68 mortos e vários feridos na Espanha, nesta quarta-feira (28). O acidente aconteceu em uma linha de alta velocidade perto da estação de Urda, em Toledo, a cerca de 150 quilômetros ao sul da capital Madri.





