8 de outubro de 2026
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Vingança familiar resulta em morte e quase 70 anos de prisão em SC

Foto: MPSC
Crime planejado como vingança matou um homem; julgamento de três réus durou mais de 32 horas

Três homens foram condenados a quase 70 anos de prisão pelo ataque a tiros que matou um homem de 56 anos e deixou outras duas pessoas feridas em Anchieta, no Extremo-Oeste de Santa Catarina. As penas somam 69 anos, 11 meses e 22 dias de reclusão. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (7/10), após mais de 32 horas de julgamento, realizado durante dois dias na Câmara de Vereadores do município. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime foi planejado como vingança pela morte de uma jovem em 2018.

A maior pena foi aplicada ao homem apontado como executor do ataque: 37 anos, cinco meses e dois dias de prisão, em regime inicial fechado. Segundo a acusação, ele estava armado com uma pistola e efetuou o disparo que matou a vítima. O homem apontado como mentor do crime foi condenado a 27 anos, 10 meses e 20 dias de prisão, também em regime fechado. Conforme o MPSC, ele entrou na residência armado com uma espingarda, efetuou disparos e entrou em luta corporal com uma das vítimas.

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O terceiro réu, filho do homem apontado como mentor, foi condenado por uma tentativa de homicídio e recebeu pena de quatro anos e oito meses de reclusão, em regime semiaberto. Ele deverá se apresentar a uma unidade prisional em até cinco dias para iniciar o cumprimento da pena. Os outros dois réus foram presos após a leitura da sentença.

Ataque foi planejado como vingança

O crime ocorreu na noite de 13 de maio de 2024. Segundo a investigação, o alvo principal do ataque era o filho da mulher que estava na residência. Ele havia sido condenado pela morte de uma jovem em 2018 e, na época do crime em Anchieta, estava em saída temporária para visitar a mãe e o padrasto. De acordo com o MPSC, familiares da jovem assassinada planejaram a vingança. O pai dela teria contratado o executor, enquanto o filho teria participado da articulação do crime e auxiliado o homem contratado após a fuga.

O alvo do ataque foi baleado nas costas e sobreviveu. Já o padrasto dele, de 56 anos, foi atingido por um tiro na nuca, disparado a curta distância. Conforme um laudo pericial apresentado no julgamento, ele estava sentado no sofá, jantando, de costas para a porta da residência e para a janela de onde partiram os primeiros disparos.

A mãe do alvo estava na cozinha quando dois homens encapuzados e armados invadiram a casa. Ela entrou em luta corporal com um dos invasores e conseguiu atingi-lo com golpes de faca. Depois da fuga dos criminosos, mãe e filho tentaram socorrer o homem baleado. “Eu me desesperei, pedi por socorro para salvar o meu marido. Eu chamava: ‘amor, amor’. Ele me olhou e se foi”, relatou a viúva durante o julgamento. A mulher também afirmou que os criminosos poderiam ter levado apenas o filho dela, caso esse fosse o único objetivo. Segundo ela, pouco antes do ataque, os netos estavam na residência.

Vingança começou após homicídio em 2018

O homem que era alvo do ataque foi condenado a 18 anos de prisão pela morte da ex-companheira, ocorrida em março de 2018, em Xanxerê. Segundo informações apresentadas pelo MPSC, a vítima foi morta com dez golpes de faca em via pública. Os dois tinham uma filha e viviam um contexto de disputa pela guarda da criança. A condenação pelo crime teve a qualificadora de feminicídio. O homem estava preso desde 2018 e cumpria pena no Estado de São Paulo. Na noite do ataque em Anchieta, ele estava em saída temporária e visitava a mãe e o padrasto. Durante o julgamento dos três réus, participou por videoconferência.

Para o promotor Rafael Baltazar Gomes dos Santos, a condenação encerra uma sequência de violência entre as famílias envolvidas no caso. “O crime abalou toda a comunidade e foi noticiado em vários portais de notícia. A cidade se comoveu, considerando o aspecto emocional e o contexto. Hoje colocamos uma pá de cal nessa sucessão de vingança familiar, com a condenação dos réus no Tribunal do Júri”, afirmou.

A defesa também pediu a restituição de celulares e de um veículo apreendido durante a investigação. A Justiça determinou o confisco do veículo e a liberação dos bens pessoais.

Investigação reuniu provas

O Ministério Público foi representado pelo promotor de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos. Durante o julgamento, ele apresentou aos sete jurados elementos da investigação. Para o MPSC, as provas permitiram demonstrar a participação individual de cada um dos três réus na ação. Na dosimetria das penas, os dois homens que invadiram a residência tiveram as condenações agravadas por qualificadoras relacionadas ao crime cometido por conexão e ao recurso que dificultou a defesa da vítima. O executor também teve considerada a qualificadora de promessa de pagamento.

A decisão acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público e é passível de recurso. A defesa chegou a pedir o adiamento do início do cumprimento das penas em regime fechado, alegando o período eleitoral, mas a Justiça rejeitou a solicitação e manteve a execução imediata.

Julgamento durou 32 horas

O Tribunal do Júri começou na manhã de terça-feira (6/10), após o sorteio dos sete jurados. Ao longo da sessão, foram ouvidas as vítimas sobreviventes, policiais que participaram da investigação, além de vizinhos e pessoas próximas aos réus e às vítimas.

Os três acusados também foram interrogados individualmente. Depois, começaram os debates entre o Ministério Público e as defesas. Cerca de 60 pessoas acompanharam os dois dias de julgamento na Câmara de Vereadores de Anchieta, entre familiares das vítimas, parentes dos réus e integrantes da comunidade. A segurança do local contou com policiais militares e penais e agentes da Coordenadoria de Inteligência e Segurança Institucional (CISI) do MPSC.

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