29 de abril de 2026
TVBV ONLINE
Segurança

Qual a ocupação mais perigosa no Brasil? Levantamento sobre acidentes de trabalho responde

Foto: Ricardo Wolffenbüttel/SECOM
Estudo do Ministério do Trabalho e Emprego aponta SC como 5º no número de ocorrências e mortes

O setor de saúde, especialmente atividades hospitalares e de pronto atendimento, concentra o maior número de acidentes de trabalho no Brasil. Foram quase 633 mil registros entre os anos de 2016 e 2025. Já o mais letal é o setor de transporte rodoviário de cargas, com 2.601 óbitos no período. Os dados integram um estudo técnico realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE e divulgado nesta terça-feira (28).

O levantamento consolida o panorama dos acidentes de trabalho no Brasil nos últimos 10 anos com base em registros oficiais do INSS e do eSocial. No total, a análise chegou a 6,4 milhões de acidentes e 27,4 mil óbitos durante o exercício da função no período.

> Siga nosso canal no WhatsApp e receba as notícias do TVBV Online em primeira mão

Os dados mostram que o ano de 2025 bateu um recorde na série histórica, com 806.011 acidentes e 3.644 mortes. Segundo o MTE, esse crescimento ocorre após uma retração observada em 2020, em razão da pandemia, e acompanha a retomada da atividade econômica e a ampliação do emprego formal no país. Entre 2020 e 2025, os acidentes aumentaram 65,8%, enquanto os óbitos cresceram 60,8%.

Apesar do aumento em números absolutos, o estudo aponta uma redução da taxa de incidência ao longo da década — de 29,39 para 17,94 acidentes a cada 100 mil trabalhadores —, indicando que o crescimento do emprego formal contribuiu para diluir o risco médio. Ainda assim, o volume total de ocorrências evidencia a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção e melhorar as condições de trabalho.

Qual o trabalho mais perigoso?

O levantamento revela que a ocupação de maior risco no Brasil é a de técnico de enfermagem, com 372.092 registros de acidentes em 10 anos. A mais letal, no entanto, é a de motoristas de caminhão, com 4.249 mortes registradas em 10 anos – uma média de 425 mortes por ano, ou mais de 1 morte por dia.

A análise dos acidentes por setor revela diferentes perfis de risco. Segmentos com alta exposição relativa, como obras de montagem industrial, que apresentam uma das maiores taxas de acidentes do país. O estudo também evidencia a diversidade de riscos no mercado de trabalho, incluindo fatores como acidentes de trajeto e violência em determinadas atividades, como vigilância.

#Ocupação (CBO)AcidentesÓbitosIncidência por
100 mil trabalhadores
Mortes a cada
1 mil acidentes
1Técnico de enfermagem372.0921821.626,31,48
2Alimentador de linha de produção317.800778778,112,06
3Faxineiro217.997419317,18,84
4Motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais)135.6204.249340,4103,95
5Servente de obras100.723741772,827,61
6Enfermeiro84.806521.039,42,15
7Vendedor de comércio varejista84.047402119,817,32
8Auxiliar de escritório, em geral78.934235134,113,05
9Assistente administrativo78.375234149,010,29
10Auxiliar nos serviços de alimentação73.397101438,19,27

O levantamento também aponta mudanças no perfil dos acidentes. Os casos típicos seguem predominantes (64,6%), mas os acidentes de trajeto ganham relevância. As doenças ocupacionais tiveram aumento expressivo em 2020, influenciadas pela pandemia. Outro destaque é o crescimento da participação feminina, que passou a representar 34,2% dos registros de acidente, com aumento de 48% ao longo da série, especialmente em setores como saúde e serviços.

Foto: Corpo de Bombeiros Militar (CBMSC)

SC entre os 5 estados com mais acidentes

Santa Catarina registrou 1.623 mortes em decorrência de acidentes de trabalho entre 2016 e 2025, O estado é o quinto que mais registrou este tipo de ocorrência na última década, com 459.716 acidentes e uma morte a cada 2 dias. O estudo do MTE traz a análise a nível nacional dos registros, mas não detalha as ocorrências por estado.

Segundo o Ministério, os dados regionalizados refletem o peso econômico dos estados. São Paulo concentra o maior volume absoluto de acidentes e mortes, respondendo sozinho por mais de um terço dos registros. Por outro lado, estados como Mato Grosso, Tocantins e Maranhão apresentam taxas mais elevadas de letalidade, indicando maior gravidade dos acidentes. O Mato Grosso se destaca por combinar alta incidência e elevada letalidade, cenário associado a atividades como agronegócio, transporte e construção.

Mortes por acidentes de trabalho
  1. São Paulo — 6.517
  2. Minas Gerais — 3.269
  3. Rio Grande do Sul — 2.653
  4. Paraná — 1.865
  5. Santa Catarina — 1.623
  6. Rio de Janeiro — 1.536
  7. Goiás — 1.257
  8. Bahia — 1.227
  9. Pernambuco — 1.100
  10. Pará — 766

Produzido por auditores-fiscais do Trabalho, o estudo reforça a importância da informação na formulação de políticas públicas e nas ações de inspeção. Para o diretor de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE, Alexandre Scarpelli, os dados evidenciam a necessidade de avançar na cultura de prevenção. “Os números mostram que o país tem ampliado a capacidade de registrar e compreender os acidentes, o que é fundamental para orientar políticas mais eficazes. Ao mesmo tempo, reforçam a necessidade de aprimorar continuamente as condições de trabalho e fortalecer a prevenção para reduzir riscos e preservar vidas”, afirmou.

           

             

Trabalhador de 20 anos morre após descarga elétrica em propriedade agrícola

Socorristas tentaram reanimar jovem por cerca de uma hora, mas sem sucesso

Um jovem de 20 anos morreu após sofrer uma descarga elétrica na tarde desta segunda-feira (27) em Barra Bonita, no Oeste de Santa Catarina. Uma equipe de socorro foi levada às pressas de helicóptero até o local, mas apesar dos esforços, o rapaz não sobreviveu.