4 de junho de 2026
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Saúde

Bactéria encontrada na Crystal é a mesma da Ypê e pode provocar infecções

Imagem: Band/Reprodução
Pseudomonas aeruginosa é conhecida pela resistência a antibióticos e pode causar infecções em pessoas mais vulneráveis

A bactéria encontrada em um lote da água mineral Crystal e que levou ao recolhimento voluntário de mais de 374 mil garrafas é a mesma identificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em produtos da Ypê no mês passado. Trata-se da Pseudomonas aeruginosa, um microrganismo amplamente presente no meio ambiente e que preocupa autoridades de saúde por sua capacidade de sobreviver em ambientes úmidos e pela resistência a diversos antibióticos.

A presença da bactéria foi confirmada em amostras da Água Mineral Natural sem Gás Crystal após análises realizadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF). O resultado levou à interdição e ao recolhimento do lote distribuído no Distrito Federal, Goiás, Tocantins e interior de São Paulo.

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Em maio, a mesma bactéria esteve no centro de outro alerta sanitário nacional, quando a Anvisa determinou o recolhimento de lotes de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da Ypê após a detecção do microrganismo em produtos da fabricante.

O que é a Pseudomonas aeruginosa?

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria encontrada naturalmente na água, no solo e em ambientes úmidos. Por ser uma bactéria de “vida livre”, consegue sobreviver fora do organismo humano e se adaptar a diferentes condições ambientais.

Especialistas explicam que ela é considerada um patógeno oportunista. Isso significa que normalmente não causa doenças graves em pessoas saudáveis, mas pode provocar infecções importantes quando encontra organismos mais vulneráveis ou condições favoráveis para se desenvolver.

Quais problemas de saúde ela pode causar?

Entre as principais complicações associadas à bactéria estão:

  • Infecções urinárias;
  • Pneumonias;
  • Infecções respiratórias;
  • Infecções da corrente sanguínea;
  • Infecções em queimaduras e feridas;
  • Otites;
  • Conjuntivites;
  • Dermatites e foliculites;
  • Infecções relacionadas ao uso de cateteres e sondas.
  • Pacientes com fibrose cística, câncer, doenças pulmonares crônicas ou internados em hospitais estão entre os grupos mais suscetíveis.

Um dos aspectos que mais chamam a atenção dos especialistas é a capacidade da Pseudomonas aeruginosa de desenvolver resistência a múltiplos antibióticos. Segundo infectologistas, algumas cepas da bactéria estão entre as principais responsáveis por infecções hospitalares de difícil tratamento, motivo pelo qual o microrganismo é monitorado de perto por autoridades sanitárias em diversos países.

Além disso, a bactéria possui facilidade para formar biofilmes, estruturas que funcionam como uma camada protetora e dificultam sua eliminação por agentes químicos e medicamentos.

Há risco para quem consumiu a água?

Especialistas destacam que a simples exposição à bactéria não significa necessariamente o desenvolvimento de uma doença. Pessoas saudáveis geralmente apresentam baixo risco de complicações graves. No entanto, crianças, idosos e indivíduos imunossuprimidos podem ser mais suscetíveis a infecções. Por precaução, a Anvisa orienta que consumidores que possuam unidades do lote recolhido não consumam o produto e aguardem as orientações da fabricante para devolução e reembolso.

O recolhimento envolve exclusivamente a Água Mineral Natural sem Gás Crystal com as seguintes informações:

Lote: LZ1 VAL200127
Data de fabricação: 20/01/2026
Validade: 20/01/2027

Até o momento, a Anvisa informou que não há registros de reclamações de consumidores relacionadas ao lote, e as investigações indicam que a ocorrência está restrita a essa produção específica.

O que diz a empresa responsável?

Em nota, a Mineração Bom Jesus (MBJ), responsável pela água Crystal, informa que está finalizando o recolhimento preventivo e voluntário de um lote específico da Água Mineral Natural Crystal 500 ml sem gás. Confira a nota:

“O lote, envasado em janeiro, possui distribuição restrita e foi comercializado apenas no Distrito Federal, em municípios específicos do Tocantins (Arraias, Combinado e Novo Alegre), de Goiás (Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Santo Antônio do Descoberto, Planaltina de Goiás e Cristalina, Formosa, Campos Belos, Alexânia, Abadiânia e Catalão) e nas cidades de Sorocaba, Itapetininga, Itu, São Roque e Tatuí (SP). Durante ação de fiscalização da Vigilância Sanitária, em março, em um ponto de venda específico localizado no Distrito Federal, foi identificada a presença de Pseudomonas aeruginosa em uma amostra coletada. Desde a notificação, foram realizadas análises em mais de 300 amostras no processo e nos produtos, todas com resultados negativos para quaisquer microrganismos indicadores de contaminação. Considerando o alto giro do produto nos pontos de venda, não há indicação de que esse lote ainda esteja disponível no mercado.

Reforçamos nosso compromisso permanente com elevados padrões de qualidade e segurança, reconhecidos internacionalmente, e seguimos cooperando de forma técnica, responsável e transparente com as autoridades competentes.

Os consumidores podem manter a confiança no consumo dos produtos da marca, enquanto a empresa avança nas avaliações necessárias para o completo esclarecimento do caso junto aos órgãos reguladores. Reiteramos, por fim, que a marca Crystal é produzida a partir de diferentes fontes de água mineral em todo o território nacional, de acordo com o engarrafador responsável em cada região, todas devidamente licenciadas e fiscalizadas pelos órgãos competentes.

Ressaltamos que esta medida se refere exclusivamente ao lote mencionado, envasado pela Mineração Bom Jesus (MBJ), não havendo qualquer relação com outros lotes ou produtos da marca Crystal. A unidade fabril permanece operando normalmente e cumprindo rigorosamente os mais elevados padrões de qualidade e segurança, com processos certificados, monitoramento contínuo e total conformidade com a legislação vigente.”

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