9 de julho de 2026
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Saúde

Casos de câncer podem quase dobrar até 2050, afirma relatório da OMS

Foto: Agência Brasil/Reprodução
Organização aponta cenário alarmante sobre impactos nas vidas de pacientes e familiares

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta quarta-feira (8) um relatório alarmante onde pede por ações urgentes para conter o avanço dos casos de câncer ao redor do mundo, que podem quase que dobrar até o ano de 2050, chegando a cerca de 35 milhões. Atualmente, a estimativa é de 20,6 milhões de novos casos e próximo de 10 milhões de mortes pela doença todos os anos.

O câncer é a segunda causa de morte mais comum no mundo, atrás apenas de doenças cardiovasculares. Segundo a OMS, reverter essa tendência de crescimento nos casos requer uma mudança fundamental e urgente na abordagem aos pacientes e às famílias, especialmente das comunidades mais afetadas pela doença.

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Essa análise tem como base o Relatório Global da OMS sobre o Câncer 2026, que aborda pontos chave como comprometimento político, prevenção – particularmente pelo controle do tabagismo e campanhas de vacinação – e investimento em tratamento. No entanto, o documento também revela desigualdades persistentes e crescentes no acesso à prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos, deixando milhões de pessoas sem os serviços dos quais necessitam.

Em um dos exemplos citados pelo relatório, enquanto 87% das mulheres com câncer de mama sobrevivem ao menos cinco anos após o diagnóstico em países de alta renda, apenas 42% chegam a esta marca em países mais pobres. Menos de um a cada três países atualmente incluem tratamento oncológico em seus programas universais de saúde, como ocorre no SUS.

“O câncer é uma doença profundamente pessoal que cerca quase todos nós. Mas uma pessoa sobreviver ao câncer nunca deveria depender de onde ela nasceu ou quanto ganha”, afirmou o diretor-geral da OMS, Dr Tedros Adhanom Ghebreyesus. “As desigualdades documentadas neste relatório não são inevitáveis; são consequências de escolhas e podem ser revertidas por meio de ações mais fortes e unificadas”.

A maioria das pessoas será afetada pelo câncer em algum ponto de suas vidas, seja pelo próprio diagnóstico ou de algum familiar próximo. Além dos impactos na saúde, a doença é um dos desafios mais devastadoras social e financeiramente que uma família pode enfrentar. Uma pesquisa da OMS sobre pessoas afetadas pelo câncer apontou que ao menos 45% experimentam dificuldades financeiras, mais da metade sofreram desafios de saúde mental e quase todos os cuidadores relatam sobrecargas como prestação de serviços não remunerados e isolamento social.

Agenda centrada nas pessoas

Segundo a OMS, esta edição do relatório marca uma oportunidade para colocar pessoas afetadas pelo câncer no centro dos esforços para combater a doença. A organização apela aos governos, organizações internacionais, sociedade civil, setor privado e a própria OMS para trabalharem para construir uma abordagem centrada nas pessoas e holística para cuidar dos indivíduos e famílias afetados.

Na prática, o órgão destaca sete recomendações e três mudanças estratégicas a serem implementadas por todos os países e comunidades:

• Maior capacidade: integrar o controle do câncer na cobertura universal de saúde e investir em capital humano para prevenir e controlar a doença;

• Maior proteção: Colocar pessoas com experiências vividas no centro dos sistemas de tratamento, ao mesmo tempo em que se fortalece a seguridade social;

• Maior valor: Alinhar pesquisa e inovação com necessidades de saúde pública e garantir acesso igualitário a avanços nos tratamentos baseados em valores.

A OMS ressalta que as escolhas feitas e ações tomadas hoje vão definir o tamanho do fardo recairá sobre as gerações futuras. “Ao adotar uma abordagem centrada nas pessoas, fazer investimentos estratégicos e fundamentados e manter um comprometimento inabalável com a equidade, os países podem reduzir o fardo do câncer e melhorar os resultados para todos, em todos os lugares”, finaliza o comunicado.

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