Empresários alertam que “reciprocidade”, anunciada pelo governo federal, pode provocar o aumento de preços no mercado interno, SC pode ser um dos estados mais afetados
A tarifa dos Estados Unidos de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, entra em vigor na próxima quarta-feira (22). A decisão é resultado de uma investigação comercial do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que durou um ano e apurou supostas práticas brasileiras que “oneram ou restringem” o comércio com empresas americanas, entre elas o funcionamento do Pix, o desmatamento ilegal e reivindicações das big techs sobre a regulação digital no Brasil.
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Apesar da falta de poder de negociação com os EUA, o governo Lula afirma que vai implementar a Lei de Reciprocidade. A lei permite que o país retalie nações ou blocos que imponham barreiras a produtos brasileiros. Da mesma forma, afirma que o tema será levado para o mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a lei da reciprocidade seria a “pior das opções” no momento e que o caminho correto seria a negociação.
“Eu acho que essa seria a pior das opções. A grande opção é negociar e sentar na mesa. O Brasil participa muito pouco do comércio internacional, já os Estados Unidos têm opções para comprar produto e para vender produto para outros países”, explicou Roriz. O representante da Abiplast também afirmou que existe um temor de aumento de preços no mercado interno brasileiro no caso de uma reciprocidade. Como muitos insumos necessários para a produção nacional vêm dos Estados Unidos, uma nova tarifação brasileira elevaria ainda mais o custo de produção no país, que já é considerado alto em comparação aos concorrentes internacionais.
Impacto em SC
Para a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), o impacto das novas alíquotas norte-americanas atinge a economia catarinense com intensidade maior do que a média registrada pelo restante do país. De acordo com a entidade, isso se deve a “alta concentração de produtos manufaturados na pauta catarinense, que possuem alta exposição às novas sobretaxas”. A FIESC destaca que enquanto a parcela das exportações brasileiras afetadas pelas tarifas recua de cerca de 33% para 25%, em Santa Catarina ela se mantém praticamente estagnada em 56%.
“O impacto projetado para esta nova fase tarifária é similar aos danos que já experimentamos no primeiro tarifaço. A análise mostra que a economia catarinense já deixou de gerar cerca de 7,6 mil empregos formais apenas no primeiro ciclo de tarifas. A expectativa é de que esta segunda leva tenha efeitos muito parecidos, com prejuízo à economia do estado”, disse o presidente da entidade, Gilberto Seleme.
Produtos atingidos e isentos
Apesar de colocar as tarifas em vigor, os Estados Unidos determinaram que alguns itens ficarão de fora da taxação. Entre os produtos isentos estão o café, a carne bovina e o suco de laranja, principais itens do agronegócio brasileiro exportados ao mercado americano. O governo americano também isentou da lista o mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e de aço, produtos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos. Por outro lado, o governo americano disse que rejeitou solicitações de pedidos de isenção para outros produtos, como vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais. Já o etanol e o açúcar continuam sendo taxados. A tarifa de 25% soma-se à alíquota geral de 10% já em vigor, elevando a taxação a 35% para os itens atingidos.
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