Desenvolvido no interior de SP, imunizante impede que a substância chegue ao cérebro e ative mecanismos de prazer
Uma nova esperança surge para o combate ao tabagismo. A primeira vacina antitabagismo desenvolvida integralmente no Brasil está em fase avançada de pesquisas em um laboratório farmacêutico em Itapira, no interior de São Paulo. O projeto, que já conta com um ano e meio de desenvolvimento, propõe uma abordagem terapêutica inédita para bloquear a dependência química na corrente sanguínea.
O grande desafio histórico das tentativas globais de criar uma vacina contra o tabaco residia no fato de a nicotina ser uma molécula extremamente pequena. Por causa do seu tamanho reduzido, ela costumava passar despercebida pelo sistema imunológico, viajando livremente pelo sangue até o sistema nervoso.
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Para superar essa barreira, cientistas brasileiros desenvolveram uma fórmula inovadora: eles uniram quimicamente a molécula de nicotina a uma molécula de maior porte. Com essa fusão, o organismo humano passa a identificar o composto como ameaça externa e estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos.
Esses anticorpos têm a função de capturar a nicotina ainda na corrente sanguínea, antes que ela consiga ultrapassar a barreira hematoencefálica. Dessa forma, a nicotina, vinda de um cigarro convencional ou de um cigarro eletrônico (vape), é retida no sangue. Como não atinge o cérebro, ela não ativa a liberação de dopamina, impedindo que o indivíduo sinta a tradicional sensação de prazer associada ao ato de fumar.
Esquema de dosagem e testes
Até o momento, os ensaios laboratoriais foram realizados exclusivamente em modelos animais. Os primeiros resultados práticos foram altamente positivos, confirmando a geração de anticorpos específicos e demonstrando a eficácia do método em impedir a dependência química.
O esquema de tratamento proposto pelos pesquisadores prevê a administração de três doses, com intervalos de um mês entre cada aplicação. Por estar em fase de desenvolvimento laboratorial, o preço do futuro imunizante para comercialização ainda não foi definido.
Urgência epidemiológica
A criação de uma alternativa terapêutica nacional é urgente. Anualmente, mais de 145 mil pessoas morrem no Brasil por decorrência direta de enfermidades associadas ao consumo de tabaco. A preocupação de especialistas aumenta diante de estatísticas recentes que mostram um aumento real na proporção de fumantes no país no período de apenas um ano.
Caso todas as fases subsequentes de testes clínicos (em humanos) ocorram com pleno sucesso, a previsão é que a nova vacina brasileira chegue ao mercado até o ano de 2030.
Tratamento complementar e inovador
A chegada do imunizante ao mercado representará um complemento estratégico importante aos tratamentos de saúde pública já disponíveis. Atualmente, a medicina conta essencialmente com duas abordagens terapêuticas:
- Medicamentos que mimetizam a nicotina do cigarro no organismo;
- Medicamentos como a bupropiona, voltados para acalmar a fissura e diminuir os incômodos físicos provocados pela síndrome de abstinência.
De acordo com analistas do setor de saúde, a introdução de uma vacina capaz de evitar a chegada da nicotina ao cérebro é muito conveniente, já que as terapias tradicionais muitas vezes continuam a expor o paciente à dependência da própria substância para que ele não sofra com as crises de abstinência.
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